Qualidade, preço baixo, foco no ambiente e no pobre
Enquanto governantes e setores irresponsáveis do mundo intensificam a poluição, permitem a destruição de florestas e a contaminação das águas, cresce paralelamente uma consciência inovadora e preservacionista e um redirecionamento das atenções para as classes de renda baixa, que formam 60% da população mundial. Por conveniência empresarial ou por um real despertamento para essas questões, segmentos do universo dos negócios, especialmente nos Estados Unidos, vêm fazendo mudanças em suas estratégias, com o olhar voltado para a proteção ambiental e para a produção com qualidade e a preços acessíveis a todo o consumidor.
A repórter Fernanda Mazzini, deste Jornal, foi a São Paulo cobrir o Fórum do Varejo 2008 e deu destaque, em trabalho publicado ontem, à palestra do especialista norte-americano Stuart Hart, professor da Universidade Cornell e que focou aqueles pontos. Ele disse que as indústrias dos EUA passaram no final dos anos 80 a investir nos itens assinalados, abandonando a idéia de produzir bens apenas para os que podiam comprar mais e direcionando o mesmo padrão também para aqueles com menos recursos, e a preços compatíveis; e ao mesmo tempo dando especial atenção à preservação do ambiente. Uma das metas - que naturalmente caminha ao lado do interesse pela lucratividade dos negócios - é reparar os estragos causados pela revolução industrial do pós-guerra, que causou e ainda causa grandes danos ambientais e distanciou ricos e pobres. Com efeito, como ele declarou, as multinacionais investiram na população rica, enquanto as pessoas de baixa renda (que hoje somam 4 bilhões, contra 1,5 bilhão de classe média e apenas 800 milhões de padrão elevado) foram desprezadas.
O lema, demonstrado por Stuart Hart, é a indústria e por extensão os serviços operarem em ação conjunta com as comunidades, auxiliando-as no seu desenvolvimento e atuando na preservação do meio, racionalizando sistemas e produzindo coisas boas e a preços ao alcance de todos. Sem ater-se à questão da melhoria do poder aquisitivo - que é da alçada dos governos, das empresas, das instituições e sociedade como um todo - esses setores industriais e de serviços demonstram que desejam fazer a sua parte. É um promissor início.
O palestrante faz menção à inovação, nesse sentido, que vem fazendo a multinacional Wal-Mart. Essa rede, que tem 7.200 lojas em 14 países (Brasil incluído), além de investir nas questões citadas mantém baixo estoque, colocando quase tudo nas gôndolas. O novo modelo que começa a ser adotado propõe produtos mais limpos e menos dano ambiental, menos resíduos e mais reciclagem do lixo, incentivo aos catadores, distribuição das sobras aproveitáveis a carentes, e assim por diante. Porque tudo isso reduz custos, beneficiando o meio ambiente, o consumidor e o próprio negócio.





