Qualidade e sabor bem brasileiros
No ranking de exportação de alimentos, o Brasil ocupa uma posição de destaque. Somos o segundo colocado e, de acordo com as expectativas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), devemos, nos próximos anos, alcançar o topo dessa lista. Posição que já conquistamos no embarque de produtos como soja, melão, café, açúcar, carne bovina e de frango.
Manter a confiança e a porta aberta para a comercialização de diversos alimentos, ao redor do mundo, entretanto, exige muito mais que a garantia de volume de produção, requer qualidade do início ao fim do ciclo. O que confirma a sustentabilidade do nosso agronegócio: com práticas que respeitam o meio ambiente e as condições de trabalho de seus colaboradores. Além de contarmos com uma cadeia produtiva muito bem preparada e tecnificada.
No manejo das lavouras, por exemplo, observam-se também grandes avanços. A biotecnologia tem ganho espaço no campo, suas soluções à base de microrganismos (algas, leveduras, bactérias ou fungos) auxiliam de forma natural no desenvolvimento dos cultivos em suas diversas fases, impactando na produtividade e na qualidade do que é colhido no Brasil.
Alternativas como essa tem ido ao encontro da busca por um uso cada vez mais racional dos defensivos no país. Órgãos fiscalizadores como o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) tem auxiliado nesse sentido. O que nos têm permitido caminhar muito bem para o futuro.
No caminho, porém, existem alguns obstáculos a serem vencidos. Um deles é a carência de ações educacionais no campo, que impede avanços ainda mais concretos no agronegócio. Isso porque, muitas vezes, o erro decorre da falta de conhecimento em determinadas situações, que poderia ser
evitado por meio de uma orientação prévia ao produtor e aos envolvidos no processo.
Outra dificuldade do setor, devido às grandes dimensões do país, é a infraestrutura. Longe dos centros urbanos, algumas rodovias, ferrovias, centros de armazenagem e meios de produção, por exemplo, estão defasados. O que não permite uma igualdade na qualidade do que é produzido em todas as regiões do Brasil, diferente do que acontece na Europa e nos Estados Unidos.
Em um mundo globalizado, onde a informação e a comunicação ultrapassam barreiras, os produtos com qualidade já são reconhecidos pelo consumidor e não há mais espaço apenas para a métrica quantitativa. A sociedade está consciente e exigente em relação ao que ingere, procurando saber
exatamente o que está por trás da produção daquele alimento, se o ciclo produtivo tem uma atitude social e ambiental responsável. Por isso, estes cuidados são tão importantes para nos mantermos entre os principais players do agronegócio e um grande parceiro para a garantia da segurança alimentar.
Ainda há muitas mesas a serem ocupadas com a qualidade dos alimentos por nós produzidos, e, ao encontramos soluções eficientes para esses gargalos, os bons frutos serão inevitáveis.
NEY IBRAHIM é engenheiro agrônomo em Ribeirão Preto (SP)





