‘‘A vida é o que lhe acontece quando você está fazendo planos’’. John Lennon não era somente um poeta, mas também sabia viver. Enquanto nos debruçamos sobre o trabalho de forma exagerada e arquitetamos nossa vida profissional em busca de um lucro cada vez maior, perdemos muito em qualidade de vida. O tempo que sobra de atividades tão desgastantes do dia a dia não é o bastante para o lazer e a reposição das energias.
Será esta a melhor forma de viver? O avanço da tecnologia não ajuda na diminuição da jornada de trabalho? Alguns dizem que por agilizar as mudanças e fazer os negócios acontecerem mais instantaneamente o ritmo de trabalho só tende a aumentar. Enquanto isso, muitas pessoas afirmam que, no futuro, iremos trabalhar menos e a tendência é que haja cada vez mais tempo livre.
Este tempo livre deve ser empregado da melhor forma possível com atividades que contribuam para o crescimento pessoal e o descanso daqueles profissionais estressados. Com a diminuição da carga de trabalho, a quantidade de tarefas realizadas diminui, mas a qualidade de vida das pessoas é recuperada e tudo que for produzido daí por diante tem um valor superior àquilo feito por um profissional esgotado.
Na verdade, todos precisamos de um tempo livre para nós mesmos. Entretanto, não são muitas as opções de lazer disponíveis às pessoas de baixa renda. O fato é que esta questão faz parte da discussão daqueles problemas sociais crônicos.
Neste aspecto, duas situações se apresentam diante de nós. Uma delas é o bom emprego do tempo livre das pessoas que podem ter opções de lazer. A outra é o desafio de cultivar nas pessoas da classe baixa o hábito da prática de atividades saudáveis em seu tempo livre. É claro que cada um pode escolher a melhor maneira de se divertir, de relaxar e usar então seu tempo livre para descobrir as possibilidades de entretenimento da nova era, mas é preciso aumentar as opções de diversão disponíveis à classe baixa do País.
Não se trata, de maneira nenhuma, da política do pão e circo, tão empregada pelos governantes que pretendem desviar a atenção popular dos problemas sociais. O entretenimento deve fazer parte da vida das pessoas de modo que proporcione além de diversão, uma reflexão do que está acontecendo em sua volta.
O ideal para uma nação que visa o desenvolvimento é que seu povo seja cada vez mais politizado, mais interessado em estudar e que cobre do governo o que o pagamento de impostos lhe dá direito de usufruir. As taxas de iluminação pública e de limpeza, o IPTU e o IPVA são impostos que garantem à população viver em um lugar decente.
Se as ruas estão sujas, o asfalto não foi recuperado e os espaços de lazer não existem ou estão mal conservados, o contribuinte tem todo o direito de reclamar uma solução às autoridades, pois ele está pagando, através de impostos, por serviços que não lhe estão sendo bem prestados.
A participação da população na aplicação das verbas públicas, provenientes de impostos, deve ser vista pelos governantes como uma evolução para a Nação e não como uma ameaça. Tal ameaça existe apenas para aqueles que só estão preocupados com seus próprios interesses e não se dão conta do estrago feito na sociedade por conta de suas atitudes egoístas.
Comida, diversão e arte, como na música dos Titãs, são coisas essenciais para uma vida digna. Nós devemos fazer todo esforço possível para que as oportunidades de lazer dadas ao povo sejam uma realidade cada vez mais presente. Com a palavra, os senhores (novos) prefeitos e vereadores.
- RUBENS BUENO é deputado federal e presidente do PPS-PR
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