Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada ontem, aponta para uma piora na qualidade das estradas paranaenses com relação ao ano passado. Os trechos considerados em ótimo estado caíram de 14,4% para 10,94% e os avaliados em bom estado subiram de 34,9% para 36,76%. Somados os trechos ótimos e bons, a porcentagem caiu de 49,3% para 47,7%.
Se for considerado apenas esse 1,6 ponto percentual, a queda do índice pode não ser relevante, mas implica excessivamente em gastos de manutenção dos veículos, em acidentes que poderiam ter sido evitados, entre vários outros fatores. Além disso, embora o Paraná ocupe a 6ª posição no ranking nacional, vale acrescentar que considerando apenas os trechos privatizados nos nove Estados que fizeram concessões, a nota paranaense é a segunda pior. Importante frisar que as rodovias privatizadas são as de maior movimentação de veículos.
Os números sugerem que é preciso estudar o modelo estadual de privatização. Em vias de vencimento de contrato – e, consequentemente, de início de negociações – seria interessante que fossem incluídas claúsulas exclusivas que tratem da qualidade das estradas. Para formar o índice, a CNT considera três características: pavimento, sinalização e geometria. Este último item é que puxa o índice para baixo, uma vez que somente 24,4% dos trechos pesquisados são considerados ótimos ou bons neste quesito.
Mesmo em locais com pistas duplicadas pelas concessionárias percebe-se que o traçado das estradas foi mantido. Se a geometria é o principal problema, como mostra a pesquisa, não seria o caso de projetar novos traçados e promover melhorias em vias já consolidadas? É importante que todos se atentem a essa questão e cobrem um posicionamento. O que não pode continuar é a combinação "tarifas caras e estradas ruins".

mockup