Qualidade da gestão empresarial
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Jairo Martins 
Nunca se falou tanto sobre gestão organizacional como nos últimos anos, principalmente após o desencadeamento da crise econômica mundial. O atual cenário de turbulências, e de rápidas e constantes transformações socioeconômicas tem demandado, cada vez mais, que as empresas estejam preparadas para enfrentar períodos de alta volatilidade.
Se, na década de 90, primar pela qualidade de produtos e processos era um diferencial competitivo, hoje isso se tornou apenas um dos diversos aspectos com que as organizações devem se preocupar para se tornarem competitivas. Pesquisa conduzida pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) com empresários brasileiros constatou que 88% dos entrevistados investem recursos financeiros para melhorarem sua gestão e 99% acreditam que esse investimento promove aumento da competitividade. Levando em conta esse contexto, as empresas têm buscado adotar uma gestão com processos sistematizados, definir e comunicar os valores e objetivos da empresa para todos os colaboradores, estabelecer estratégias a curto e longo prazos, conhecer a concorrência e o mercado e incorporar temas como inovação e sustentabilidade à gestão por meio de um processo contínuo e permanente, que gera resultados concretos. Assim passaram a atuar não só a gestão da qualidade dos processos, mas também a focar na qualidade da gestão.
Para embasar a implementação dessa gestão estruturada, muitas organizações utilizam modelos de referência, como o Modelo de Excelência da Gestão (MEG), da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), que funciona como instrumento referencial para o alcance do sucesso do negócio. Adaptado para empresas de todos os portes e setores, o modelo permite às organizações fazerem a avaliação, o diagnóstico e a orientação da sua gestão, identificando o seus pontos fortes e indicando as oportunidades de melhoria. A adoção de modelos que permitem aos líderes um melhor entendimento do ecossistema onde atuam contribui para que as organizações se antecipem e se adaptem às mudanças bruscas de cenários e estejam atentas às tendências mundiais, permitem maior cooperação interna, compartilhamento de informações e aprendizado, melhora do clima organizacional, aumento de sua competitividade e elevação do desempenho financeiro. Em parceria com a Serasa Experian, a FNQ analisou 202 empresas da indústria, comércio e serviço e mostrou que as empresas do setor do comércio, que utilizam o MEG, de forma sistemática e estruturada, registraram uma evolução no seu faturamento de 102,6%, enquanto as outras companhias do setor cresceram 74,9%.
Outro recente levantamento desenvolvido pela FNQ atesta que o grau de maturidade da gestão das organizações brasileiras tem melhorado. O Indicador Nacional da Maturidade da Gestão (INMG) avaliou as boas práticas adotadas por organizações de diferentes portes e setores e revelou uma evolução progressiva. Em uma escala de 0 a 100, o nível mediano de aderência das organizações ao Modelo de Excelência da Gestão (MEG) ficou em 53 em 2011, sendo que em 2010, as empresas pontuaram 48 e em 2009 esse número era 44. No ano 2000 o INMG era de 33. O índice toma como base as candidatas ao Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ) e considera para sua mensuração aspectos como a estruturação de ações que buscam a satisfação dos clientes, a adoção de programas para os colaboradores, o engajamento de lideranças e gerenciamento de informações, o aperfeiçoamento contínuo da gestão e os compromissos assumidos com a sustentabilidade, a inovação e a ética.
JAIRO MARTINS é superintendente geral da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ)
■ Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres (55 linhas) e no mínimo 1.600 caracteres (25 linhas).
Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: opiniao@folhadelondrina.com.br


