A educação de primeira a quarta séries em Londrina mantém-se acima da média nacional, mas ainda insuficiente em termos globais - 4,7 e 3,8 nas séries iniciais e finais.

Para melhorar o desempenho dos 35 mil alunos do ensino fundamental, a Secretaria Municipal de Educação aposta num conjunto de medidas que vão da implantação gradativa do ensino integral à adoção de língua inglesa a partir da 4 série, incluindo a avaliação do profissional. A seguir, os planos da secretária, Carmem Sposti, para 2008.

O que está sendo preparado para 2008?
Começamos em março do ano passado, antes da divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), um trabalho de análise dos resultados dos nossos dados de rendimento escolar, incluindo os índices de evasão e reprovação. Com o resultado do Ideb, fizemos o cruzamento, e eles refletem bem a nossa realidade. Formatamos um projeto chamado ''Caminhando e Construindo'', para trabalhar durante todo o ano com supervisores escolares e dirigentes no sentido de analisar as causas desse rendimento e apresentar propostas diferenciadas para o resgate desses índices. É um trabalho bastante voltado à formação dos nossos professores e também à questão de estrutura para que eles possam desenvolver bem as atividades pedagógicas.

O que o Ideb revelou?
Temos bastante diferença de uma região para outra. Londrina ficou na média com 4,7, mas temos escolas com 6,8 e outras com menos de dois. Percebemos que nas regiões em que temos maior vulnerabilidade social e menor participação da família o rendimento é pior - o que não deveria estar acontecendo. Estamos com nosso olhar voltado para essas regiões e vamos colocar nossa assessoria pedagógica junto dessa unidade escolar. O que percebemos é que temos investido na formação continuada do professor, mas precisamos que nossos profissionais realmente acreditem nessa população mais vulnerável para que a gente possa resgatar os baixos rendimentos e levar a criança a uma formação integral.

Haverá ampliação do ensino integral?
Já temos há alguns anos os dois CAICs, um no Jardim Santiago e outro no União da Vitória, que atendem em período integral. Temos também duas unidades - José Gasparini, no Farid Libos, e Escola Municipal Áureo Alvim Tófoli, no Eucaliptos - que atendem em período semi-integral (seis horas por dia). Nossa intenção é estender esse tipo de atendimento para regiões de maior vulnerabilidade. Nessa linha, temos um projeto diferenciado para a Escola Elias Kauam, no jardim Novo Amparo. No José Gasparini queremos que as crianças fiquem, já em 2008, em período integral. A região dos jardins Maracanã, Olímpico, Avelino Vieira, também nos preocupa, só que precisamos ter condições físicas e humanas para avançar.

E a implantação de língua inglesa nas quartas séries?
Fizemos uma seleção dentro do nosso quadro de professores e vamos trabalhar com professores exclusivos, mas que completam carga horária pegando duas ou mais escolas. O nosso material didático está sendo construído com profissionais da UEL e Unopar e leva em conta o contexto da história de Londrina. Queremos dar condições para que o inglês seja extendido às demais séries, de forma decrescente, atingindo, no futuro, até a educação infantil se for possível.

A prefeitura de São Paulo colocou dois professores no ensino fundamental para dar atendimento mais individualizado aos alunos. É uma boa medida?
Sem dúvida nenhuma, com certeza deve dar bons resultados. Em Londrina, nós já temos um professor de apoio a cada três turmas. Além disso, reforço escolar para o aluno que tem dificuldade de aprendizagem e o projeto das bibliotecas escolares e palavras andantes, em que trabalhamos com o contar histórias, expressão corporal e leitura. Ainda temos a procupação, nas séries iniciais, de reduzir o número de alunos em cada sala. Agora nós precisamos pensar na ampliação da jornada - para aumentar a permanência da criança na escola. Sobre colocar dois professores na mesma turma, infelizmente temos um limitador que é a questão dos recursos.

Em São Paulo também será implantada uma prova para avaliação dos professores. Em Londrina existe isso?
Temos a avaliação de desempenho e uma avaliação bastante rígida nos primeiros três anos de trabalho, que é o estágio probatório. Mas eu acho que tudo está caminhando para essa avaliação ampla porque, a partir do momento em que se faz um Ideb, vejo com bons olhos a avaliação do profissional. Muitas vezes a gente atribui a culpa na criança, diz que ela não aprende, mas eu também faço a pergunta: será que o professor ensinou como devia? O professor tem que usar todas as linguagens, entrar no íntimo da criança para que ela desperte para o conhecimento. Então, o professor também precisa estar sempre muito atualizado e a avaliação serve para que ele reflita e repense as suas práticas.

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