O resultado preliminar por escola do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano passado, divulgado ontem pelo Ministério da Educação e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), deve gerar algumas reflexões de autoridades e educadores. Como as crianças estão sendo formadas e preparadas para o futuro?
A primeira análise ressalta o óbvio: a grande diferença de pontuação obtida por alunos de escolas particulares e públicas. Alunos de nível socioeconômico muito alto apresentaram pontuação média de até 182 pontos superior ao desempenho de estudantes mais pobres. O dado reforça a disparidade da qualidade de ensino e salienta a diferença entre ricos e pobres, uma vez que a qualidade da educação impacta diretamente na vida profissional da pessoa. O desempenho aponta para a necessidade de se investir mais na educação, em projetos que foquem o aprendizado do aluno e não somente garantam sua permanência na escola em parte do dia.
A outra questão sugere a qualidade do ensino paranaense. O Estado tem apenas um representante entre as cem primeiras instituições públicas: o Colégio da Polícia Militar Cel. Felippe de Souza Miranda, de Curitiba. A escola subiu oito posições no ranking, passando do 24º lugar para 16º. Para efeitos de comparação, seis escolas gaúchas foram incluídas na lista. A Secretaria Estadual de Educação ainda não se manifestou sobre o assunto, mas precisa dar explicações o quanto antes. Ainda que o Enem seja questionável, esse resultado coloca automaticamente o Estado na berlinda.
A qualidade da educação deveria ser a principal meta de todo governo. É preciso investir na gestão das escolas, em propostas de ensino que envolvam crianças e jovens e que garantam o seu aprendizado. A qualidade da educação deve ser discutida mais assiduamente pela sociedade. É a partir do envolvimento de todos que o País conseguirá reverter esse cenário.

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