QUALIDADE DA ÁGUA - Poço artesiano traz risco de contaminação
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de outubro de 2007
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
A proliferação de poços artesianos em condomínios verticais combinada à escassa fiscalização de envazadoras de água mineral e à falta de limpeza das caixas d'água nas residências pode levar riscos à saúde que têm passado despercebidos pela população e pelo poder público. A conclusão se baseia no balanço das análises microbiológicas e fisico-químicas realizadas em amostras de água, nos últimos quatro anos, pelo Serviço Brasileiro de Análises Químicas e Ambientais (Sebraq). A empresa londrinense mantém um dos 22 laboratórios brasileiros com certificação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) - é o único da região.
Segundo a química Keila Pinzan Sponton, uma das sócias do Sebraq, a contaminação por coliformes fecais ou elementos físico-químicos pode ser extremamente prejudicial à saúde. Nesta entrevista à FOLHA, ela também avaliou que a fiscalização sobre o comércio e consumo de água é muito limitada.
Como é a água consumida pelo londrinense?
No caso da água servida pela Sanepar, o maior problema está nas caixas d'água. A empresa garante a qualidade até o cavalete e o grande problema é que as pessoas passam muito tempo sem lavar a caixa. Mesmo lacrada, ela acumula poeira, microorganismos, e essa limpeza é de responsabilidade do morador. Já as águas de galão, a gente faz exames para umas seis marcas e posso garantir que são boas, mas tem outras que a gente recebe quando o consumidor reclama e geralmente apresentam anormalidades de ordem microbiológica ou físico-química. Algumas envazadoras não estão nem aí com a qualidade, por isso o consumidor deve procurar empresas idôneas.
Existe controle de qualidade da água de galão?
Não, o que existe no rótulo é a classificação da água, qual a fonte, se é mineral mesmo ou se tem alguma característica diferente. Mas sobre a qualidade não tem.
E a água dos poços artesianos?
Esse é o maior problema. Quando se fura um poço, ocasiona afundamento da terra e fica um bolsão. Se um vizinho tem uma fossa, provavelmente a água vai se interligar e chegar até o ponto de acúmulo, que geralmente fica no local em que se capta a água. Então, o risco é que uma fossa próxima ao poço traga grande índice de coliformes, inclusive fecais. Estes, que a gente chama de termotolerantes, têm origem no trato intestinal. Temos atendido muitos condomínios que apresentam problemas na água por causa da proximidade com fossas.
Isso acontece em toda a cidade?
Quando as amostras se acumulam no centro da cidade a incidência é maior. Na região da Gleba Palhano, por exemplo, todas as amostras que vieram não mostraram contaminação porque ali está começando a ocupar agora e não tem fossa. Agora, no centro da cidade, 70% dos condomínios que nos procuram têm problemas.
E na zona rural?
Em chácaras, sítios, o problema decorre do uso de defensivos agrícolas. Um pesticida demora mais ou menos 15 anos para se decompor, então por todo esse período ele fica ali fazendo efeito. Quando chove, tudo isso vai cair no lençol freático e pode ir para a mina ou poço artesiano. A ingestão de pesticida geralmente está associada a câncer, então tem que estar bem atento.
Em relação a alimentos...
Como nosso laboratório é credenciado pelo Ministério da Agricultura, nós recebemos amostras do Serviço de Inspeção Federal (SIF). O maior problema está no manejo, na forma de preparar. Por exemplo, nos queijos e iogurtes o maior risco são os coliformes fecais, é espantoso. Algumas empresas de renome, muito conhecidas... Na carne e derivados do frango, é muito comum a salmonela, que também é manejo. Se você tem um frango contaminado e não fez uma higienização correta das mãos, na hora do abate todo o lote que veio depois vai contaminar porque você passou a mão na salmonela e está passando nos outros.


