Qual é a árvore mais velha da nossa cidade?
No Bosque Municipal de Londrina há ao menos uma peroba e uma figueira de dimensões impressionantes, possivelmente centenárias
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quinta-feira, 20 de março de 2025
No Bosque Municipal de Londrina há ao menos uma peroba e uma figueira de dimensões impressionantes, possivelmente centenárias
Gustavo Góes 
A notícia da queda de uma árvore centenária em São Paulo, um chichá que era a terceira mais antiga da capital paulista, traz à tona reflexões importantes sobre a preservação das árvores presentes em nossas cidades. A comoção gerada pela morte daquela árvore secular nos lembra da necessidade de valorizar e cuidar desses seres vivos que narram, silenciosamente, a evolução do ambiente urbano.
Em nossa rotina, muitas vezes passamos desatentos pelas árvores que nos cercam, sem imaginar as décadas – ou até séculos – de transformações que presenciaram. Será que já se sabe qual é a árvore mais velha da cidade? Ou a segunda? E a terceira?
No Bosque Municipal de Londrina há ao menos uma peroba e uma figueira de dimensões impressionantes, possivelmente centenárias. Estariam elas entre as árvores mais antigas da cidade? No Parque Estadual Mata dos Godoy, me recordo de uma peroba monumental com mais de 6 metros de circunferência, com idade estimada em 1.000 anos, mas que caiu em 2012. Mesmo com essa perda, o parque ainda abriga outras perobas imponentes que carregam em seus anéis a memória de séculos.
Em áreas urbanas, a história das árvores corre o risco de se perder diante do avanço da urbanização. A Universidade Estadual de Londrina, por exemplo, ainda abriga perobas de grande porte. Poderia a árvore mais velha de Londrina estar no campus da UEL?
Para descobrir essas respostas, a ciência oferece caminhos interessantes. A técnica da dendrocronologia, que analisa os anéis de crescimento das árvores, permite estimar com boa precisão a idade de muitas árvores ainda vivas. O método do Carbono-14 pode ser utilizado para árvores mais velhas, e também modelagens com base na taxa de crescimento e diâmetro do tronco. Mas além da técnica, a curiosidade e a memória coletiva são aliados indispensáveis. Muitas vezes, os moradores mais antigos têm lembranças valiosas de árvores icônicas da cidade, que podem ser peças-chave na reconstrução dessa história.
Além de sua beleza e simbolismo, as árvores têm um papel fundamental para a qualidade de vida urbana. Elas sequestram carbono, amenizam a temperatura e protegem a biodiversidade, funções que se tornam ainda mais vitais à medida que o clima global se torna mais instável e as cidades mais quentes.
Contudo, preservar árvores longevas exige mais do que admiração, é preciso planejamento e manejo cuidadoso. Uma gestão urbana moderna não pode se limitar a erradicar árvores como medida de prevenção de acidentes. É essencial adotar tecnologias para o diagnóstico da saúde das árvores e aplicar medidas que prolonguem sua “vida útil” com segurança.
Será que protegemos nossas árvores históricas, e de valor biológico e paisagístico de forma adequada? Algumas cidades já contam com leis específicas para resguardar exemplares com relevância ambiental e cultural. A queda do chichá centenário em São Paulo é um alerta: as árvores não podem ser negligenciadas!
Que possamos olhar para nossas árvores com um novo olhar. Quem sabe, em uma caminhada pelo bosque ou pelos parques, não encontramos pistas para desvendar essa história? Talvez, em nossas próprias memórias familiares, haja lembranças de uma árvore que merece ser reconhecida e protegida.
Descobrir qual é a árvore mais velha da cidade não é apenas uma curiosidade. É um ato de preservar o passado, valorizar o presente e planejar o futuro. Afinal, cada árvore tem sua história, e juntas, elas contam a nossa.
Gustavo Góes, associado da ONG MAE e membro titular do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Londrina.


