O ministro Guido Mantega fez uma clara ameaça à sociedade ao declarar, na noite de quarta-feira (só a segunda edição dos noticiários da TV a divulgaram) que se a continuidade da CPMF não for aprovada o Governo diminuirá os atendimentos básicos de saúde e aumentará impostos. Para reforçar seu tom ditatorial, qual um soberano da República, afirmou que essas medidas independerão da aprovação de outros Poderes e que o Governo tem autonomia para adotá-las. Os próprios comentaristas de noticiosos noturnos da tevê consideraram a declaração como arbitrária e inusitada.
Não se sabe até que ponto o titular da Fazenda fala em nome do Palácio do Planalto - entenda-se o presidente Lula -, mas ele declarou que inclusive o programa Bolsa-Família poderá ser prejudicado, mesmo sendo este o grande triunfo propagandístico do Governo petista. Se falava por própria conta, tanto pior, por demonstrar que há mais de um mandante no Sistema. Mantega enfatizou o corte nos programas de saúde pública, que já cambaleiam, mais parecendo uma chantagem sobre os senadores, que por estes dias irão votar a prorrogação ou não do malfadado imposto sobre as operações financeiras.
Os ministros da Fazenda, no Brasil, sempre foram poderosos, por ter nas mãos as chaves do Tesouro, por isso não se duvida que as ameaças de Mantega se concretizem. No caso da saúde - leia-se o SUS -, se coisas vão mal ficarão piores, e não por falta de dinheiro mas pela possível execução do plano macabro do ministro, que tem todos os ingredientes de vingança se o Senado não corresponder ao anseio palaciano.
A ameaça (este é o termo que os noticiaristas da televisão usaram) ocorre num momento em que os cofres do Governo estão abarrotados de dinheiro - fala-se em reserva de moeda acima de R$ 300 bilhões, incluindo-se parte arrecadada pela CPMF. Porque o Governo não sabe nem gastar o que disponibiliza, por falta de capacidade para elaborar projetos de obras. O que acontece é uma enlouquecida sanha arrecadadora. A ameaça de aumentar impostos para compensar uma eventual perda do filão da CPMF é uma afronta aos brasileiros.
Diante da situação, os cidadãos ficam reféns ante duas condições: ou têm de continuar pagando os encargos da CPMF - que subtrai do meio circulante em torno de R$ 40 bilhões anuais, empobrecendo a economia - ou sofrer consequências como as anunciadas pelo ministro de Lula. Se isto não é um regime ditatorial, há que se inventar outro nome para tal arbítrio. Que os brasileiros não tenham dúvida: eles são capazes dessa perversidade!

mockup