Quais os desafios das famílias monoparentais?
Se, por um lado, a separação entre os genitores tem crescido, por outro, a guarda compartilhada tem aumentado
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quinta-feira, 29 de maio de 2025
Se, por um lado, a separação entre os genitores tem crescido, por outro, a guarda compartilhada tem aumentado
Priscila Andrade 
Cada vez mais o Brasil convive com a realidade de pais ou mães que educam seus filhos de maneira solo: a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que existam aproximadamente 12,7 milhões de famílias monoparentais com filhos em todo o país, sendo 87% chefiadas por mulheres enquanto apenas 13% têm o pai como chefe da família. O número tem crescido cada vez mais. Só entre 2012 e 2022, passou de 9.6 milhões para 11,3 milhões, o que significa um aumento de 17,8%, conforme dados da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Diante desse cenário, quais os desafios para os pais e para as mães das famílias monoparentais? Ou seja, como pais e mães solos podem educar seus filhos com êxito num mundo cada vez mais complexo? Um dos caminhos é tornar o processo de separação o menos traumático e dolorido possível para os filhos, independentemente da fase em que vivem e de quantos anos tenham. Sejam recém-nascidos, pequenos, grandinhos ou adultos, os filhos sempre sentem o divórcio dos pais de alguma maneira, podendo encarar positiva ou negativamente. Não há como protegê-los, mas é possível minimizar os efeitos.
Os brasileiros têm se divorciado cada vez mais e mais rápido. E isso significa que, socialmente, os grandes afetados pela situação são os filhos, que precisam se dividir para poderem estar próximos das pessoas que eles mais amam, em casos de crianças e adolescentes. Se, por um lado, a separação entre os genitores tem crescido, por outro, a guarda compartilhada tem aumentado: de 2014 a 2022, por exemplo, saltou de 7,5% para 37,8%. De fato, é um avanço, embora o dado empírico não revele em que condições essa guarda compartilhada acontece, se de maneira amigável ou em litígio.
Uma questão importante é entender que o divórcio não necessariamente precisa nem deva ser evitado por causa dos filhos, afinal, o relacionamento entre duas pessoas é complexo e cheio de variáveis. Mas, é preciso que os pais compreendam a responsabilidade de deixar os filhos o mais longe possível dos traumas de um rompimento afetivo. Nesse sentido, é importante que, durante a separação, haja maturidade o suficiente para que as divergências não respinguem nos filhos. Ao contrário, que o casal que se separa tome as decisões mais sábias para ajudar a proteger seus filhos dos traumas que a separação pode ocasionar.
Estudos apontam que a relação equilibrada entre os pais, mesmo quando separados, diminui o sofrimento dos filhos. Entretanto, sabemos que isso nem sempre é uma realidade tangível. Por isso, quando não é possível, existem maneiras de deixar os filhos mais seguros na educação dentro de casa, independentemente de qual dos genitores será o detentor da guarda dessa criança. De acordo com o pensamento da psicanalista austríaca Melaine Klein, a mãe é a primeira figura significativa na vida da criança e é a partir do relacionamento com ela que o bebê começa a desenvolver sua percepção de si mesmo e do mundo.
Por outro lado, também para a psicanalista, a função do pai é essencial para o desenvolvimento psíquico da criança. Nenhum substitui o papel do outro na formação do caráter de um filho. Ambos são importantes para o equilíbrio psíquico do indivíduo. Entretanto, os genitores devem superar as diferenças da impossibilidade de convivência do casal para agir de maneira madura a fim de que a criança tenha a possibilidade de crescer com a convivência tanto do pai quanto da mãe, se os dois ainda são vivos. Enfrentar esses desafios é fundamental para permitir uma trajetória exitosa na educação dos filhos. E será recompensadora no futuro.
Priscila Andrade é psicanalista


