Em recente artigo, a jornalista Adriana Carranca escreveu sobre o mal-estar da civilização, titulo de um dos livros de Sigmund Freud, onde destaca pontos importantes do atual quadro da civilização mundial.
Vou focar aqui na atual situação de ma- estar do povo brasileiro, em especial, depois da infeliz declaração do presidente Michel Temer contra a prisão do senhor Lula. Infeliz e inacreditável, e não venham me dizer que ele a fez em defesa do Brasil. Ao contrário, o fez em defesa de si mesmo.

Na noite do dia 16/11, o povo, representado por alguns muitos, foi até o plenário da Câmara dos Deputados em protesto contra as maracutaias dos senhores deputados, quase todos.
A descrença na classe política e nos gestores do Executivo nacional está provocando o que ninguém poderia imaginar, que é o clamor pela volta dos militares ao poder a fim de pôr ordem na casa e afastar esse bando de corruptos que se enclausurou nos poderes da República. O quadro negro de mais um momento da história brasileira está na parede aguardando que nele seja escrito mais um capítulo de um episódio bem conhecido por todos nós, culpa do PT que devastou o país, e que continua sendo devastado por aqueles que remanesceram apoiados de novo e, infelizmente, por nós.

Sabe-se que a revolução de 1964, assim como outras intervenções no passado, não foi uma decisão exclusiva e isolada dos militares, pois contou, segundo vários historiadores, com expressivo apoio popular e de segmentos significativos do empresariado, da grande classe média, dos anticomunistas e da igreja.

Nós estamos à beira de um colapso institucional, onde, agora, os congressistas, em grande maioria eleitos por conta de caixa dois, e outros indiciados ou réus em investigações e ações penais pelo crime de corrupção, se encontrem às vésperas de aprovar leis que os deixem livres dos crimes e impeça ações, investigações e imponha medo em juízes que se habilitem a conduzir processos que os atinjam.

O povo, conforme se viu naquela noite do dia 16/11 não aguenta mais e prefere a volta dos militares a deixar a situação tornar-se irreversível. O que mais me deixa incrédulo é que se encontra inserido nos códigos de procedimentos as hipóteses de suspeição e impedimento, de tal sorte que aquelas autoridades que tenham interesse ou vinculação com a causa não podem julgá-las, nem mesmo instruí-las, justamente para não macular o processo.

Moralmente, também consta que não se deve propor leis cujo beneficiário seja o próprio proponente. Entretanto, o que se vê no Congresso Nacional é exatamente o contrário, ou seja, deputados e senadores suspeitos ou impedidos por já terem praticados ilícitos apresentam projetos de lei onde se pede a anistia pela prática do ilícito praticado por eles mesmos, e pior, tentam através dessas leis impedir que sejam investigados, julgados e punidos.

Os altos salários dos membros do Judiciário, conforme amplamente divulgado pela imprensa também não se coadunam com a realidade brasileira e seus propósitos, e não tem como recorrer porque quem irá julgar qualquer ação contra esses salários irreais serão os próprios juízes, os beneficiados. O que fazer?

As invasões das escolas, órgãos públicos, o bloqueio de rodovias tudo ocorrido recentemente é outra demonstração de falta de autoridade no país, isso porque, embora o direito à manifestação esteja garantido na Constituição da República, nesta mesma Constituição não está garantido o direito à invasão, e ela existe e existiu e não tem uma autoridade que se disponha a fazer cumprir a lei. Nítida crise de falta de autoridade!

Aonde iremos: o Brasil e cada um de nós? O governo Temer se revela dia a dia um factoide. O Congresso um zero absoluto. Só nós, o povo, para impedir isso, e não podemos jogar a toalha.

ALMIR RODRIGUES SUDAN é advogado em Londrina

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