Londrina está tomada de assalto por uma quadrilha bem organizada que age na clonagem de telefones. A Sercomtel, a única empresa que opera com linhas fixas, já alerta pela imprensa a presença desse bando. Cidadãos de Londrina já haviam informado a este Jornal que estranhavam certos procedimentos de consulta, feitos a eles com todas as características de que partiam da companhia telefônica. Um repórter da FOLHA recebeu, no seu telefone residencial, uma chamada desses golpistas.
  Esses bandidos começam fazendo chamadas a cobrar (o que não existe no Sercomtel), mas dizendo que se trata de investigação e que nada será cobrado. (Na verdade a conta chegará). A seguir declaram-se investigadores da companhia e afirmam haver detectado no número do telefone chamado uma infinidade de ligações interurbanas (citam 140), mas que ‘‘sabem’’ tratar-se de clonagem e, para isso, estão ‘‘investigando’’. Pedem cooperação para a ‘‘investigação’’ e ditam senhas a serem discadas. Fornecem-lhe alguns números interurbanos para serem discados, e os incautos o fazem. Esses números realmente existem (captados aleatoriamente de listas telefônicas) e na outra ponta da linha há pessoas que atendem. A recomendação é para dizer que foi engano. A seguir dão outros números. Enquanto isso, e valendo-se das senhas discadas, eles vão ganhando tempo para fazer as clonagens. Eles têm gravações dos procedimentos usuais da telefônica e quando se disca para as senhas que fornecem, ouve-se tais vozes, naturalmente gravadas das originais, tudo parecendo verdadeiro.
  As conversas são longas e repetitivas, e tudo isto faz parte do ardil para o ganho de tempo. O alerta que ora se faz é para que não seja dado alento a ‘‘investigação’’, porque não é dessa forma que a telefônica age quando há denúncia de clonagem. Mas é certo que muitos caem nesse conto, porque a quadrilha age com profissionalismo. Os apelos à suposta boa causa da investigação são aparentemente convincentes. A clonagem vai permitir que o número do assinante seja utilizado para ligações locais, interurbanas e transnacionais, e o custo naturalmente entra na conta do proprietário do telefone.

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