Foi uma solução salomônica a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) de repetir os 11 jogos com suspeita de contaminação por manipulação de resultados pelo árbitro Edilson Pereira de Carvalho. Salomônica porque rápida e sábia, como eram as sentenças do rei Salomão. Mas Edilson é uma espécie de bode expiatório o animal que os judeus expulsavam para o deserto, nas festas de expiação, depois de o terem carregado com as maldições que queriam desviar de cima do povo. Com a diferença de que o árbitro é culpado. Mas o dedo em riste deveria apontar também para outros mais de sua classe, sabidamente existentes, e para os corruptores. Nessas fileiras estão não apenas os do presente caso, mas todos os que corromperam e os que foram corrompidos ao longo da história do futebol brasileiro. Não há corruptos sem corruptores e estes também não existem sem os afins. Foi uma decisão acertada a do STJD, que, ao invés de arrastar o caso como fazem os políticos e suas CPIs resolveu pela repetição dos jogos. Poderá haver inversão de resultados, mas estes são incidentes de percurso, ainda melhores do que situações de vitórias por desonestidade. Contudo, ficam sem punição os dirigentes de clubes ou aqueles que, em nome deles ou não, costumam subornar árbitros. É antiga a desconfiança de que juízes de futebol (e outros esportes) manipulam resultados. A história é repleta de casos do gênero, narrados a boca pequena algo tão folclórico quanto o jogo do bicho e, sobretudo, de evidências muito claras. Por isso, soa inoportuno o chamamento, pelo STJD, do zagueiro Alemão, do Vasco, e do técnico Celso Roth, do Botafogo, por haverem declarado no rádio que: 1) Alemão já presenciara a tentativa de um árbitro, ainda em atividade, de manipular resultados; 2) Roth sabe ''exatamente quando um juiz de futebol está determinado a prejudicar uma equipe''. Se a CBF anuncia que criará um grupo de observadores para atuar em todos os Estados, a fim de auscultar a vida dos árbitros, deveria fazer o mesmo também com relação aos clubes. Porque, vigiar apenas os árbitros é convertê-los para usar uma expressão mais brasileira em ''bois de piranha'', aquele animal doente ou franzino que é jogado no rio infestado desses peixes vorazes, para que cuidem de devorá-lo enquanto mais acima a tropa passa livremente. A decisão do Tribunal é exemplar mas está muito parecida com a dos políticos em Brasília, onde uns são comidos e outros ficam a salvo. Merece louvor a ação rápida do STJD, inclusive por acompanhar as investigações junto à Polícia Federal e ao Ministério Público, mas o serviço fica pela metade porque livram-se os mentores dos esquemas de suborno de árbitros, pois o dinheiro para esse fim sai de algum lugar, que não é nenhuma associação de damas de caridade.

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