Até poucos meses atrás, as chamadas ''pulseirinhas do sexo'' eram um adereço com conotação sexual - porém aparentemente inconsequente - usado nas escolas por garotas adolescentes. Mas o acessório virou mania e mostrou que de inocente não tem nada. As pulseirinhas fizeram sua primeira vítima grave em Londrina.

A reportagem de capa desta FOLHA, relata o caso de uma garota de 13 anos violentada por quatro rapazes depois de sair de uma escola pública. As pulseirinhas foram a causa da agressão à menina, segundo a Polícia. Em seu depoimento, ela relatou que teria conhecido o grupo de rapazes no Terminal Urbano, os quais teriam arrebentado as pulseiras e depois obrigado-a a manter relações sexuais.

Tudo porque as pulseiras representam um sinal cifrado - mas nem tanto - em que as cores ''indicam'' do que a menina ''está a fim''. Cada cor representa uma opção a que a garota ou garoto (os meninos usam em menor número) estariam dispostos a aceitar. Assim, numa espécie de jogo (o Snap), aquele que tem a pulseira arrebentada por outro, tem que realizar o que a cor determina. Em resumo: quem usa a pulseira está automaticamente receptivo à prática (Veja reportagem na página 7).

Depois que a TV banalizou o sexto, tudo parece permitido. A dúvida é se crianças de 13 anos tem clareza das consequências. Há controversa com relação a aplicação das cores, mas o marrom seria a opção pelo sexo escatológico. Quem tem dúvida sobre o que isto sugere, deve consultar no Dicionário Escolar da Língua Portuguesa - da Academia Brasileira de Letras - o significado do termo coprologia.

Atitude firme foi adotada por um dos maiores colégios particulares de Londrina, o Maxi. Foi radical. ''O uso destas pulseiras está proibido e ponto final'', afirmou o diretor da instituição, Virgílio Tomasetti Jr. Ele ligou para a FOLHA na manhã desta segunda-feira, comunicando a medida. ''Não vou esperar que o pior aconteça'', disse. Coincidentemente, o jornal estava apurando detalhes do caso de violência que a polícia atribuiu às pulseirinhas. Muitas escolas tem minimizado o assunto. Acham que o modismo passa.

mockup