PTB, 52 anos de ideal trabalhista
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terça-feira, 25 de março de 1997
Marcos Defreitas e Flávio Vedoato 
O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) é a legenda mais antiga do país. Nasceu como autêntico marco da modernidade política e consagração dos princípios democráticos quando da organização do sistema partidário em 1945. Entretanto, o ideal trabalhista já vinha se formando desde a Revolução de 1930, quando já constava em seu programa a criação do Ministério do Trabalho e da Reforma Agrária.
Os princípios do trabalhismo fizeram-se presentes em todos os momentos em que Getúlio Vargas ocupou o poder, valorizando os trabalhadores numa sociedade ainda marcada pelos resquícios do escravagismo, ou seja, pelo aviltamento do trabalho. Na concepção dos primeiros líderes do PTB, o partido teve a missão prioritária de propor as reformas sociais necessárias para aquele período de transição política e efervescência econômica, coincidentes com a queda do estado autoritário brasileiro, o final da 2ª Grande Guerra e a redemocratização do Brasil.
O PTB surgia nesse importante momento do país acompanhando a implantação de grandes projetos industriais de base e a Constituição de 1946. Possuía como fundamento básico a valorização da força de trabalho, ponto de partida para o efetivo desenvolvimento nacional.
Foi durante o governo do PTB que se consolidaram as organizações sindicais, inclusive com instalação efetiva da Justiça do Trabalho, a conquista de grande parte dos direitos civis e trabalhistas, como aposentadoria por tempo de serviço e por invalidez, garantia no emprego e voto secreto. Obra de homens que se confundem com a história do PTB, como Alberto Pasqualini, Lúcio Bittencourt, San Thiago Dantas e o imortal Getúlio Vargas.
Nos anos 60, para impedir a posse do vice-presidente constitucionalmente eleito, implantou-se artificialmente o parlamentarismo e depois um estado autoritário contra o governo trabalhista de João Goulart. Nesse período o PTB foi o partido mais perseguido de todos, e seus militantes foram dizimados. Muitos filiados foram torturados e exilados.
Contudo, o ideal trabalhista persistiu. Em 1979, passados quinze anos, o PTB requereu novamente sua formação. Preparava-se, renascido, para o desafio da reconstrução democrática do Brasil e, atendendo ao chamado popular, esteve presente na campanha pelas diretas, na recomposição das instituições nacionais, na eleição de Tancredo Neves, na convocação e elaboração da Constituição cidadã de 1988, e participou efetivamente do processo eleitoral que culminou com a eleição dos dois últimos presidentes da República eleitos por meio do voto livre, direto e soberano.
Mudou o mundo. O Brasil mudou. Por isso, o trabalhismo brasileiro busca a modernidade sem abrir mão de seus ideais e de suas convicções. O PTB de hoje, com o presidente nacional do Partido, senador José Eduardo de Andrade Vieira, é um partido reformista e de vanguarda, que visa estar à frente de seu próprio tempo. Como disse Vargas, o PTB é uma revolução em marcha.
Isso quer dizer, sobretudo, que o PTB tem uma mística, e essa mística precisa ser preservada. A ninguém mais, senão a todos nós, militantes do partido, tenhamos ou não mandatos populares, cabe cuidar e zelar pela permanência dos ideais de Getúlio e Pasqualini, adaptando-os, na medida do possível, às necessidades dos tempos atuais, mas sem jamais perder o oxigênio que sempre alimentou a chama, desde o berço: a idéia de que o partido é, e será sempre, o mais autorizado porta-voz da classe trabalhadora brasileira.
Agora, no momento em que o país discute a reforma partidária, realmente necessária, temos a certeza de que o PTB é um partido coerente. O PTB é amor ao Brasil.


