O diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT) de Londrina decidiu apertar o cerco contra o prefeito Luiz Eduardo Cheida. Reunido anteontem à noite, o diretório resolveu cobrar a dívida do prefeito com o partido, de quase R$ 39 mil, e de todos os petistas que fazem parte da sua administração e devem mais de R$ 100 mil.
‘‘Se eles não pagarem, a Executiva vai tomar as medidas cabíveis, que vão da suspensão à expulsão’’, afirma o presidente do diretório Celso Costa. ‘‘Estávamos tratando esse assunto reservadamente, mas como o Cheida tem se comportado de forma antiética, decidimos abrir a mala e mostrar as ferramentas’’, disse. Os membros da Executiva são ligados ao deputado federal Paulo Bernardo, derrotado nas eleições para prefeito.
Costa afirma que, com essa dívida, o prefeito está muito longe de pleitear sua candidatura ao governo do Estado. ‘‘Como alguém que nem paga o partido pode querer se candidatar ao governo? Quando se fala que ele é o candidato a governador do PT é uma opinião isolada. Não reflete a posição do partido’’, diz.
Segundo Costa, o deputado federal José Genoíno é o avalista da dívida de Cheida e dos petistas ligados a ele. ‘‘Quando Genoíno esteve aqui na prévia, ele avalizou as dívidas porque o Cheida se comprometeu a quitar o débito. Após a prévia, o prefeito não fez um único repasse. Criou uma situação constrangedora para Genoíno’’.
Quanto às declarações de Cheida de que pretende comandar o PT no Paraná, Costa diz que o prefeito dificilmente vai conseguir isso. Em maio acontecerá a eleição para o diretório municipal. ‘‘Se nós vencemos quando o Cheida tinha a máquina na mão, imagine em maio, quando ele estará fora da prefeitura’’, disse.
Avaliação Segundo Costa, a administração de Cheida ainda será avaliada pelo PT. ‘‘Mas ele já se mostrou um derrotado: não ganhou as eleições internas para o diretório, nem na convenção, não fez o sucessor na prefeitura, não elegeu subprefeito, e o candidato que apoiou não venceu as eleições. Portanto, em qualquer processo de votação que sua liderança foi colocada à prova, ele perdeu. Foi reprovado pelos militantes do partido e pela sociedade’’.
Costa adianta que o PT não sabe em que condições Cheida vai entregar a prefeitura para o prefeito eleito Antonio Belinati (PDT). ‘‘Vamos torcer para Belinati não precisar passar um ano arrumando a casa e realizar as obras que pretende. Pelo que sabemos, o Cheida atrasou o pagamento de salários, a fornecedores e não pagou nem o asfalto que está fazendo agora’’.
Cheida afirma ter de 300 a 500 petistas do seu lado, mas Costa rebate dizendo que são pessoas envolvidas atualmente nas atividades do PT por trabalharem na prefeitura. ‘‘Com o término de sua gestão, tenho minhas dúvidas se essas pessoas vão seguir suas ações’’.
O presidente do diretório acrescenta ainda que a administração municipal é de Cheida e não do PT. ‘‘Oficialmente o PT nunca teve controle da administração nem indicou nomes para o secretariado. Foi o Cheida quem governou a cidade, não o partido’’. Segundo Costa, a opção do partido por Belinati no segundo turno foi legitimada pelo voto. ‘‘Para decidir se tiraria ou não o Cheida do programa de TV do Hauly, a Justiça ouviu o diretório municipal. Enviamos um documento dizendo que a opção do diretório foi por Hauly. A lei é clara ao determinar que, numa eleição local, a decisão cabe ao diretório municipal. A direção estadual não tem que se manifestar sobre isso’’.
O prefeito Cheida foi procurado no final da tarde pela Folha mas não foi encontrado.

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