O PT quer a quebra do sigilo bancário do prefeito eleito de Campo Grande, André Puccineli (PMDB), e a relação de todas as pessoas que sacaram mais de R$ 100 mil nas agências bancárias da cidade às vésperas do segundo turno. Puccineli foi eleito prefeito no último dia 15, batendo por uma diferença de apenas 411 votos o seu adversário José Ocírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT. No segundo turno, 298 mil eleitores compareceram às urnas em Campo Grande.
No processo que tramita na 35ª Zona Eleitoral pedindo a anulação do segundo turno, o PT assegura que, no dia 14, o candidato André Puccineli sacou R$ 4 milhões, em notas de R$ 10, de três agências bancárias da capital. Ontem o juiz Sideni Soncini Pimentel, relator do processo, notificou o PMDB para que apresente sua defesa no processo.
Outra suspeita do PT é que alguns candidatos que foram eleitos vereadores no dia 3 de outubro tenham feito empréstimos bancários, cujo dinheiro teria sido usado para compra de votos. Luciane Tadeu Pires e Joelma Belo Oliveira foram arroladas como testemunhas no processo em que o PT tenta anular a eleição. As duas disseram que venderam os votos. Cada uma teria recebido R$ 20.
Na hora de votar, o eleitor Ronie José Rodrigues da Silva ficou sabendo pelo mesário que outra pessoa já havia votado em seu lugar. Ronie foi orientado, segundo ele diz no processo, a votar no lugar de Rogério Frantini Victório. Rogério e Ronie votam na 35ª Zona, Seção 184.
No dia da eleição, José Wilson Abranche, candidato a vereador da Coligação Força Popular, liderada por Puccineli, foi preso em flagrante no km 460 da BR-163 transportando eleitores. Com Abranche, policiais rodoviários encontraram dez títulos eleitorais e outros 15 comprovantes de votação no primeiro turno. Também no último dia 15, o ‘‘captador’’ de imóveis, Luís Amorim dos Santos, 29 anos, foi preso em frente à Escola Célia Maria Nagles, na Vila Moreninha, com várias requisições de combustível.
O advogado Fábio da Silva Santos, assessor do gabinete do deputado Waldemir Moka (PMDB), também foi preso em flagrante comprando voto para o candidato Puccineli.
Senhas - Os cabos-eleitorais do PMDB estão no mato sem cachorro com essa denúncia de que houve compra de votos no segundo turno em Campo Grande. A descoberta da senha (um pedaço de papel de cartolina colorida) está agitando a periferia da cidade. Estruturou-se rapidamente nos bairros um verdadeiro batalhão de informantes. Ontem, duas mulheres foram presas quando trocavam dinheiro pela senha de quatro eleitores que teriam vendido seus votos.
Ao menor sinal de suspeição, a polícia Federal é acionada, anonimamente. Foi isso o que aconteceu, por exemplo, na última terça-feira, quando três colaboradores da campanha do candidato vitorioso André Puccineli foram pegos com a mão na botija.
No instante em que efetuavam a segunda parcela do pagamento de R$ 20 pela compra do voto a diversos estudantes de uma escola estadual da periferia, Claudio dos Santos Martins, Jorge Alberto Ujacov e Ivan Araújo foram presos por agentes da Polícia Federal e confessaram o crime.
Agora, as reuniões previamente agendadas para a efetuação do pagamento da fraude eleitoral estão sendo sistematicamente adiadas, para desespero dos cabos eleitorais do PMDB, já que a senha - prova do crime - continua em poder do eleitor.

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