PT faz convenção tensa no Paraná
Leandro Donatti
De Curitiba
José SuassunaNO VOTOMilitantes participam da votação: decisão no segundo turnoA convenção estadual do PT, realizada ontem no plenário da Assembléia Legislativa, em Curitiba, foi marcada por clima de muita tensão ao final do encontro. A disputa pelo cargo de presidente regional teve segundo turno, realizado à noite. Até o fechamento desta edição, o processo eleitoral ainda não estava concluído. O ex-deputado federal Nedson Micheleti e o deputado federal padre Roque Zimmermann brigavam pelo cargo.
Eles foram os dois mais votados no primeiro turno da convenção. Micheleti fez 48,73% dos votos válidos, o equivalente a 192 votos. Padre Roque, 32,74%, ou seja, 129 votos. E o assessor do deputado federal Florisvaldo ‘Rosinha’ Fier, Márcio Pessati, o terceiro colocado, 18,52% do total, 73 votos. O primeiro turno registrou um voto nulo e dez brancos. Para definir o resultado sem levar a briga para novo turno, o candidato teria de contabilizar 50% dos votos válidos mais um. O que não aconteceu.
Votaram na convenção estadual do PT em Curitiba 405 delegados de todo o Estado. Boa parte deles já estava a caminho de suas residências quando foi anunciada a necessidade de realização de um segundo turno. O corre-corre foi geral e intenso. Os aliados de Nedson Micheleti – apontado como o favorito – demonstravam preocupação com a debandada, o que poderia trazer prejuízo político. O ‘staff’ de Padre Roque, que apostava no segundo turno, também teve de se mexer para não perder espaço.
Fora do processo eleitoral, Márcio Pessati usou a tribuna para pedir aos seus 73 eleitores voto para Padre Roque. Durante a campanha, os dois chegaram a ensair um acordo político, que acabou não se concretizando. As plataformas eleitorais de padre Roque e Márcio Pessati tiveram diversos pontos comuns, dentre os quais a defesa de um orçamento participativo nas finanças do PT. Pessati simpatiza com padre Roque, mas está integrado numa ala ‘mais à esquerda’ do PT. Roque se diz independente e transita em todas as facções. Enquanto Nedson, faz parte do ‘PT light’, menos radical.
O verniz, na convenção do PT, no geral, foi de festividade. A tensão só aflorou com o resultado do primeiro turno. Roque e Micheleti se engalfinhavam pelo cargo. ‘‘O encontro foi excelente e o PT sai daqui mais jovem e dinâmico’’, dizia padre Roque antes de saber que iria para o enfrentamento com o adversário. Micheleti afirmava que a convenção fez o PT ‘‘mais forte e mais unido’’.
Márcio Pessati elogiava os debates, iniciados no sábado e concluídos ontem. Segundo ele, é natural que depois de instalado o novo comando o partido se aprofunde mais nas discussões sobre as alianças, para as eleições de 2000. ‘‘Não devemos nos aliar com aqueles que apóiam Lerner e FHC’’, pregou.(Colaborou Rubens Burigo Neto)

mockup