PT completa 20 anos de caminhada
Adriano BardouO Partido dos Trabalhadores (PT) completa, neste dia 10 de fevereiro, 20 anos de história. Neste período, o PT, fundado por sindicalistas, militantes católicos, comunistas, intelectuais e democratas, consolidou-se como o maior partido brasileiro de oposição.
O PT participou da luta pela democratização do País; da campanha pela anistia ampla, geral e irrestrita; contra a carestia; da Constituinte; das Diretas-Já; do impeachment do presidente Fernando Collor de Mello; e elegeu prefeitos, deputados, vereadores e, mais recentemente, governadores.
Apesar de todo este currículo de serviços prestados à sociedade brasileira e à democracia, o PT ainda não conseguiu se livrar de alguns rótulos, tais como: ‘‘Radical’’, ‘‘baderneiro’’, ‘‘xiíta’’, ‘‘do contra’’, ‘‘sem propostas’’, ‘‘corporativo’’ etc. Estas expressões não são utilizadas apenas pelos adversários políticos, elas fazem parte do vocabulário e do senso comum de boa parcela da população. Por que isto? Por que um partido que dedica sua existência ao combate da injustiça social recebe tais adjetivos?
Em primeiro lugar, este é o preço pago pelo PT por se opor a uma herança colonial e autoritária de se fazer política no País. Desde o início da colonização, o Brasil tem sido prisioneiro de uma tradição conservadora, de uma forma autoritária de gestão política e administrativa, de um regime econômico escravista, de um método de afirmação da sociedade no qual a aristocratização e a exclusão social são faces da mesma moeda.
Como consequência, implantar uma nova cultura política é tarefa árdua e, muitas vezes, mal compreendida por setores significativos da sociedade que, devido ao peso da tradição histórica secular, resistem a qualquer tipo de mudança, principalmente as de caráter político.
Em segundo lugar, o próprio partido acaba contribuindo involuntariamente para que sua imagem seja associada aos rótulos descritos acima. Externamente, o PT – com farta cobertura dos meios de comunicação de massa – passa uma imagem de um partido dividido e em eterna luta interna entre ‘‘moderados’’ e ‘‘radicais’’.
A convivência democrática da divergência de pensamento político entre tendências internas do PT não é nenhum problema e mostra o alto grau de maturidade do partido.
O real problema é que muitas vezes, as tendências acabam esvaziando as instâncias partidárias, que correm o risco de acabar virando locais de mera homologação do que foi debatido e decidido nas tendências. Portanto, radicalizar a democracia e o respeito à pluralidade interna é vital para a manutenção de uma agenda positiva para o PT.
O Partido dos Trabalhadores deve avançar na sua caminhada e imprimir na implantação de uma nova cultura política a marca de sua radicalidade democrática e positiva. Assim, o PT vai se credenciar como alternativa real para a transformação dos municípios, dos Estados e da Nação por via direta e popular.
- ADRIANO BARDOU é ex-presidente do PT em Foz do Iguaçu e ex-secretário-geral do partido no Paraná