Primeiro o enfoque do Governo Lula era que o Brasil seria um grande exportador de biocombustíveis; agora o discurso muda, com a afirmativa idêntica de que o País pode ser um grande exportador de petróleo. Com certeza, poderá ser vendedor externo dos dois produtos, mas não se pode afirmar com segurança que o combustível fóssil será prevalecente, quando aumenta em todo o mundo a pressão pela preservação ambiental. É preciso saber-se que a decisão de adquirir um produto e de o mercado aceitá-lo - tanto no interno quanto no externo - não depende dos governos e sim dos consumidores.
Se a opinião pública - que é a que decide o que usar e consumir - manifestar-se contra um produto altamente poluente ou originado de trabalho semiescravo, não adiantarão esforços diplomáticos e estratégicos para reverter a situação. Este é um dos poucos casos no mundo em que não prevalece o mando dos governantes. A decisão é dos cidadãos, conforme a qualidade dos produtos, a satisfação que estes lhes causam, o sabor dos alimentos, a origem e condições do trabalho de quem os produz, afora os itens naturais do mercado, incluindo o preço. O que tem a ver com o petróleo é que os carros elétricos vão entrando em marcha ainda lenta, mas que se acelerará, como se constata agora na amostragem do Salão do Automóvel que se realiza na Alemanha.
E mais as políticas redutoras da poluição ambiental em potências como Estados Unidos, União Europeia e Japão. Trata-se de arranques que, se ainda de baixa impulsão, não têm marcha à ré. O que se tratou dias atrás neste Editorial agora está na mesas das explicações do Governo, como acaba de falar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. ''Um eventual conflito entre o pré-sal e as fontes renováveis de energia não interessaria ao Brasil'', ela diz. Os produtores de etanol já reagem, temendo que a euforia do presidente Lula pela extração de petróleo das águas profundas do oceano afoguem o projeto de mudança da matriz energética.
Primeiro era o petróleo apenas (porque o Pró-Álcool do passado sucumbiu), mais recentemente foi o entusiasmo pelos biocombustíveis a partir de várias origens vegetais, de alguns meses para cá foi o pré-sal e agora é o meio a meio, gerando uma posição flex, ao menos pela palavra da ministra e outras vozes mais cautelosas. Aceleração demais, em qualquer dos dois projetos, pode resultar em colisão de interesses, convenientes para uma coexistência pacífica nesse complexo e multibilionário universo de negócios.

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