Muitos pensam que 1999 será o último ano ano século 20, julgando que a passagem do milênio será depois do Natal do ano que vem. Mas o século 21 só terá início em 1º de janeiro de 2001; portanto, o último ano do segundo milênio da era cristã será 2000.
Estaremos então vivenciando dois anos históricos. Durante muito tempo, imaginou-se como seria o mundo em 2000. Os milenaristas esperam grandes conturbações, outros já previram um tempo de profundas transformações, mas ninguém poderá julgar para onde o mundo caminhará.
Os otimistas são poucos. Há um sentimento de grande apreensão e insegurança. Uma espécie de sensação de grande culpa paira no ar. As pessoas entendem que a opção pela global tecnização do mundo poderá não representar a efetiva paz que todos desejam; pelo contrário. Cada vez mais as pessoas se armam, procuram se precaver em condomínios fechados, tomam medidas de segurança para tudo, fazendo seguro para quase todas as coisas, enfim, manifestam medo. Hoje, não é possível mais afirmar que o progresso trará felicidade para o gênero. Desde o horror da Segunda Guerra Mundial que muitos deixaram de crer nos mitos do progresso e passaram a desconfiar do novo mundo instituído.
Mas há um dado importante neste contexto. Deus não morreu, como afirmaram os filósofos do século 19. Durante anos e anos, os intelectuais tentaram defender a tese de que Deus não mais existia e que o homem passava a ser o senhor único da história, com a missão de construir, por si, a sua própria felicidade. Os iluministas do século 18 é que reforçaram a dúvida na existência de Deus e procuraram dar relevo ao antropocentrismo. As dolorosas experiências do século 20 (entre elas, a da bomba atômica), fizeram muita gente rever essa patológica auto-suficiência do homem, e a voltar-se para o mistério de Deus. O próprio Albert Einstein chegou a reconhecer a existência de Deus.
Há cem anos os franceses inauguraram a Torre Eiffel, com símbolo de progresso. Estavam no auge, exercendo grande influência na cultura européia e americana. Mas hoje os franceses não estão mais na crista da onda, mesmo reconhecendo o enorme valor cultural que possuem. Os franceses, infelizmente, contribuíram muito para a difusão do ceticismo, do ateísmo, apesar de a França ter tido também grandes homens de fé neste século, como Jacques Maritain. Neste ano, vimos o esforço que os franceses fizeram para voltar a empolgar o mundo, não mais pela alta cultura, mas pelo futebol.
Mas estamos chegando ao final do século 20 muito mais receptivos à espiritualidade do que os homens de 1899. Esta abertura tem sido uma das fortes tônicas do momento. Vejam o sucesso que vem fazendo o padre Marcelo Rossi, do movimento carismático da Igreja Católica. Deus pode ter morrido para os intelectuais, mas nunca morreu para o povo, os simples, as pessoas de bem, os homens e mulheres de ‘‘boa vontade’’.
Afinal, não podemos esquecer que estaremos comemorando, daqui a dois anos, o 2000º aniversário de nascimento de Jesus Cristo, a encarnação de Deus, que vive entre nós e nos ‘‘amou até o fim’’. Próximos do ano 2000, podemos constatar, com grande alegria, a verdade das palavras de Cristo: ‘‘Eu estarei com vocês até o final dos tempos’’.
- VALMOR BOLAN é doutor em Sociologia e professor em Guarulhos (SP)

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