Foi providencial a decisão do juiz Marcello Mazzari, da 4Vara Civel, de promover - antes de uma eventual medida mais radical da Justiça - uma reunião das partes envolvidas na greve dos servidores públicos municipais, em Londrina. Será segunda-feira, e o objetivo é alcançar-se um consenso, porque até agora tal encontro não aconteceu entre as duas polaridades desse movimento reivindicatório, que se arrasta por mais de dois meses. Estão sendo intimados para essa reunião - trata-se de intimação e não de convite - o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, o prefeito, o procurador do município, a Secretária Municipal de Saúde e representantes do Ministério Público. A intermediação do magistrado posterga a ação de anteontem do Ministério Público, que determinava o retorno dos grevistas ao trabalho, em 24 horas, ou a contratação, pelo prefeito, de pessoal extra para os atendimentos básicos de saúde. O MP também havia declarado o movimento como abusivo, estribado na lei constitucional que estabelece como direito e dever do Estado atender à saúde pública. Agora a greve é questão da Justiça, e se não houver acordo na reunião programada, as providências legais seguirão seu curso e terão desfechos. A entrada de um poder maior no episódio afigura-se como o remédio para colocar um fim nessa greve - considerada abusiva pelo MP e, portanto, já tem uma configuração. O que o poder público e o sindicato da categoria não fizeram, agora a Justiça fará se não houver conciliação segunda-feira. Está caracterizado o abuso do direito de greve e a omissão de prestação de serviço público. Portanto, devem chegar ao fim os arroubos e desrespeitos demonstrados principalmente pelo presidente do sindicato, que ironizou - conforme este Jornal publicou ontem - as queixas dos usuários dos postos de saúde, entre eles pessoas idosas e cujo atendimento foi prejudicado. Se, ao menos na esfera do Ministério Público, a greve já está declarada abusiva, é aguardar o que acontecerá após a reunião determinada pela Justiça. No que diz respeito aos atendimentos básicos e serviços em geral da Prefeitura e de que a comunidade se vale, Londrina está paralisada, porque os processos que dependem de papéis não andam. Portanto, já não há mais o que contemporizar, porque a opinião pública está indignada com esta greve, que não atinge o prefeito mas toda a comunidade, e é portanto contra o povo. A intervenção da Justiça muda o perfil do movimento grevista e acena para um ponto final.

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