Providencial ação contra som alto
O problema da poluição sonora causada por aparelhos eletrônicos não é só de Londrina mas de todas as cidades brasileiras. Os abusos estão presentes na poluição sonora causada pelos alto-falantes dos automóveis da juventude e nos sons musicais (ao vivo ou mecânicos) de bares, restaurantes, lojas e clubes sociais. Em Londrina assunto de ontem neste Jornal o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), em trabalho conjunto com as Polícias Militar, Ambiental e de Trânsito, apreendeu veículos que estavam com som musical além do permitido, e autuou seus proprietários. Durante o dia o máximo admitido é de 70 decibéis, e à noite (até o horário-limite) de 60, mas há sons que chegam a 110. Curioso é que um dos carros apreendidos ostentava um aparelhamento de som caro mas o IPVA não estava pago. Sabe-se que uma das obsessões dos jovens que pilotam veículos é investir nessa aparelhagem. Porque isto lhes confere status no ambiente da turma. No passado aconteciam os rachas e o abuso da velocidade, que era o terror das cidades e hoje estão fora de moda embora vez ou outra ocorram e agora é o som abusivo. O gênero ''musical'' também é pesado, já não se distinguindo o que é música e o que é apenas percussão do teor bate-estaca contínuo. As sanções são a apreensão do veículo e a retirada dos aparelhos, a aplicação de multa, que pode variar de R$ 1,5 a R$ 5 mil, e o indiciamento em crime ambiental. O Instituto Ambiental informa que a operação vai continuar, e deve! A ação precisa se estender às origens, que são as oficinas montadoras de sons. Elas também precisam ser visitadas e orientadas, e eventualmente autuadas, até onde a lei permitir. Ao menos elas conhecem a lei do silêncio e sabem que estão cooperando para a prática do ilícito. Seriam oportunas também visitas a casas de comércio que se utilizam de locutor para anunciar produtos, e exageram no som. Dos bares, restaurante e clubes sociais já se tem falado, e, em face da ação do próprio IAP e das autoridades judiciais, muitos excessos foram contidos. Os clubes, no entanto, ainda continuam com as festas (no mais dos casos por locação das instalações) e o som persiste até 5 horas da madrugada. Não são os diretores de clubes que controlam o som mas os donos de bandas, que derivam da simples animação musical de uma festa para o espetáculo. Eles deixam, assim, de ser um acessário para pretender transformar-se no foco central. Por isso eles também precisam figurar na mira dos vigilantes do IAP. O estabelecimento do horário-limite da meia-noite para essas festas seria algo novo apenas no Brasil, porque não há país civilizado onde tal não seja regra. Bailes barulhentos, começando às 11 da noite e atravessando a madrugada, são ainda coisas de países atrasados. Ressalvadas as épocas especiais, como o Carnaval um evento anual de apenas quatro dias e noites e as festas de fim-de-ano, já não se concebe acontecimentos com som alto atravessando o horário de dormir. O Instituto Ambiental e as autoridades do setor devem continuar sua tarefa saneadora e ir fechando o cerco, até que os abusos sejam vencidos e a tranquilidade se restabeleça.





