O ProUni (Programa Universidade para Todos) é a mais nova estratégia do governo federal em relação à educação de nível superior no Brasil. O projeto, já sancionado pelo presidente Lula, visa conceder bolsas de estudos integrais e parciais em faculdades privadas para estudantes que tenham vindo de escola pública ou para bolsistas da rede privada. Além disso, é necessário que o aluno tenha feito uma das edições do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e obtido nota mínima de 45 pontos.
Apesar de ter sido classificado pelo presidente Lula como ''grande programa do nosso governo para educação'' o ProUni teve as inscrições prorrogadas pela terceira vez. São 16 mil vagas remanescentes, sendo a maioria reservadas para negros e índios. Analisando que há no país milhões de jovens, os quais poderiam estar na universidade, e só não estão por falta de recursos, onde estaria o motivo para o não preenchimento dessas vagas? Convictamente não é por falta de vontade dos estudantes. O problema está exatamente nos despropósitos que acompanham o ProUni.
Não podemos desvalorizar a iniciativa do governo, pois uma maior inclusão de estudantes no ensino superior acarretaria benefícios estruturais ao Brasil. No entanto, é nítido que o programa começou no sentido inverso. Abrir as portas da universidade, enquanto o ensino fundamental e médio estão deteriorados pelo descaso e desmantelo de políticos e de profissionais da área, é no mínimo um equívoco.
É preciso que se coloque a educação básica tanto da rede privada quanto da rede pública em patamares iguais, para que as oportunidades sejam as mesmas e as cotas se tornem desnecessárias.
Contudo, isso é complexo e não se conquista com reformas que se iniciam de cima para baixo. Outro equívoco é o governo estender incentivos fiscais a universidades privadas quando as instituições públicas vivem em situação deplorável. Além disso, a abrangência do programa nos municípios do interior dos estados é muito pequena. Sem contar o fato de muitas instituições de ensino disporem para o ProUni somente cursos matutinos, o que dificulta a conciliação do estudo com o trabalho.
É por essas e outras, que julgar o ProUni como um grande feito para educação é um erro. Reformas começam de baixo, e enquanto essas não forem postas em prática, será impossível crer que algum desses projetos do governo possa ter efeitos relevantes sobre a questão educacional brasileira.
JOANA CAMPANA é estudante do ensino médio do Instituto Nossa Senhora Auxiliadora em Cambé

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