No Dia Mundial da Saúde, comemorado ontem, médicos de várias cidades brasileiras saíram às ruas para pedir mais recursos para o setor, reajuste imediato da Tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) e a aprovação do Projeto de Lei de Iniciativa Popular Saúde+10. A minuta desse projeto foi entregue no ano passado à Câmara dos Deputados, em Brasília, pela Coordenação Nacional em Defesa da Saúde Pública, junto com 1,8 milhão de assinaturas de apoio. Pela proposta popular, a União deverá aplicar, anualmente, em ações e serviços públicos de saúde, montante igual ou superior a dez por cento de suas receitas correntes brutas.
Os profissionais também reivindicaram a criação de uma carreira pública e a chamada desprecarização do trabalho médico. Eles pedem a realização de concurso público com salário adequado, plano de cargos, carreira e vencimentos, maior financiamento para a saúde, melhores condições de trabalho e atendimento adequado para a população.
Na última sexta-feira, quem saiu em defesa do Projeto Saúde+10 foi a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que ressaltaram o descaso do poder público - leia-se Congresso Nacional - com a proposta de iniciativa popular que reuniu quase duas milhões de assinaturas devidamente identificadas.
Os bispos lamentam, em nota pública, que até o momento nenhum esforço tenha sido feito por parte dos deputados e senadores para iniciar a tramitação do projeto, sendo que a Câmara, recebeu o documento no dia 5 de agosto de 2013.
Oito meses depois que a minuta do Saúde+10 foi entregue aos deputados, é inaceitável que nada tenha sido feito para tirar o projeto do papel, um grande desrespeito à vontade popular.
A precariedade da saúde pública é um dos mais graves problemas enfrentados pela população brasileira. Faltam médicos e outros profissionais, assim como infraestrutura adequada para atendimento da população. Porém, o mais grave, é a falta de vontade política em buscar soluções para esse problema.

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