Protestos e insatisfação
As manifestações populares que tomaram as ruas ontem em ao menos 16 Estados, além do Distrito Federal, mostram claramente o quanto os brasileiros estão insatisfeitos com o governo da presidente Dilma Rousseff (PT). É um insulto a parte dos brasileiros classificar o ato de protestar aliás, um direito legítimo de "golpismo" ou "de não aceitar o resultado das urnas". Não se trata disso e, tampouco, pode ser classificado como um movimento da elite.
A quantidade de pessoas que foi às ruas mostra essa pluralidade. Não há lideranças estabelecidas, tanto que o movimento cresceu por meio das redes sociais. O descontentamento dos brasileiros surgiu porque a crise econômica tem corroído a renda das famílias, com o aumento da inflação e das tarifas públicas; devido à adoção de medidas impopulares e veementemente negadas durante a campanha eleitoral, como a mudança de algumas regras trabalhistas e iniciativas de arrocho fiscal; e mais fortemente pelas denúncias de corrupção na Petrobras e pelos desdobramentos da Operação Lava Jato.
Negar tudo isso é tentativa forçada de minimizar fatos importantes como esses e de subjugar o entendimento da população. Se a história mostra o brasileiro como um povo passivo, é preciso entender que essa cultura está mudando. Também é importante que o governo agilize mudanças necessárias, como as reformas política e tributária e endureça as leis que punem a corrupção. O período do apadrinhamento, de acertos obscuros, das comissões em obras públicos, da dilapidação do dinheiro público e da prestação de serviços de baixa qualidade deve ser deixado para trás. A população deseja a adoção de valores éticos e morais sólidos.
É importante que os governantes de todas as esferas estejam atentos para tudo isso. Do contrário, a população parece disposta a continuar manifestando seu descontentamento. Tudo isso pode ser o início de uma "primavera brasileira".





