Os protestos marcados para o próximo domingo em várias cidades brasileiras são uma demonstração do quanto a sociedade está insatisfeita com a presidente Dilma Rousseff (PT). Não se trata de discutir a polarização entre PT e PSDB, entre "ricos" e "pobres", mas de uma população abalada pelo escândalo de corrupção na Petrobras e pelas medidas de ajuste fiscal anunciadas pela presidente.
Os brasileiros já sentem há tempos os efeitos da inflação. Tarifas de energia elétrica, de água e do transporte coletivo com reajustes bem acima dos índices oficiais e preço dos alimentos também em alta há tempos têm corroído a renda da população. Tanto que desde o início dos anos 2000 não se falava em retração de consumo – o que está acontecendo agora.
Todos entendem que medidas de ajuste são necessárias, mas é preciso que o governo faça a sua parte. Como cobrar da população, se a própria administração pública não cortou gastos?
No último domingo, quando a presidente anunciou que a sociedade também terá que se esforçar (sobre o ajuste fiscal) e que "não tinha como prever a duração da crise econômica mundial" – quando a maioria dos países afetados está em recuperação – ela conseguiu trazer para si o foco desse descontentamento geral da população. A "bomba" do Supremo Tribunal Federal e a lista com mais de 50 políticos suspeitos de envolvimento no esquema de desvio de dinheiro da Petrobras ficaram em segundo plano.
E, agora, a presidente e sua equipe terão que lidar com tudo isso. Em 2013 quando a população tomou as ruas, as reivindicações eram difusas, sem lideranças e uma pauta clara. Agora, é diferente. A insatisfação pelo governo é clara, principalmente porque, apesar de vitoriosa, a presidente saiu enfraquecida do pleito.
Também não se trata de impeachment, uma vez que até o momento não houve qualquer sinal de envolvimento da presidente nos escândalos de corrupção. No entanto, o direito de protestar é legítimo e os brasileiros precisam acompanhar mais atentamente os atos de seus governantes.

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