O Brasil inicia uma nova semana mais fortalecido. Ganha força a população, que foi capaz de "parar" o País e chamar atenção para a sua insatisfação geral com a situação nacional; ganham também a democracia e a cidadania. Um movimento que começou com uma reivindicação clara – a redução das tarifas do transporte público – em São Paulo tomou corpo e avançou Brasil afora. Agora os pedidos são vários, mas o que está claro é que o povo quer mudanças.
Mudanças concretas, longe da falta de ideologia dos partidos, dos discursos habituais e das promessas dos políticos; da impunidade aos crimes de "colarinho branco"; da corrupção; da ineficiência dos serviços oferecidos à população; da alta carga tributária, entre vários outros motivos. A situação pela qual passa o País chegou ao limite do suportável. Chegou a hora de ir para as ruas e fazer valer os direitos que, aliás, são garantidos pela Constituição Federal. Garantidos legalmente, por força de lei, mas que não são colocados em prática e nunca chegaram de fato a beneficiar a população.
Educação de péssima qualidade, com escolas sucateadas, professores mal remunerados e pouco qualificados; pessoas morrendo nas portas de hospitais sem atendimento, esperando meses por consultas com médicos especialistas ou por procedimentos e exames; transporte público caro, lento e totalmente desconfortável; estradas em péssimo estado de conservação ou com tarifas de pedágio altas; custo dos alimentos subindo e altíssima carga tributária.
No entanto, é importante ressaltar que esses problemas não surgiram agora. São resultados de décadas sem qualquer investimento público, sem qualquer esforço ou planejamento para que fossem melhorados; de políticas econômicas equivocadas e de propostas e projetos que beneficiaram apenas uma parcela pequena da população.
No entanto, é importante ressaltar que a população também precisa mudar seu comportamento perante a participação política. Se o povo não tem se mostrado alienado e agora demonstra ser capaz de lutar pelos seus direitos, é importante que passe a participar mais ativamente da vida pública. Escolher candidatos honestos, com propostas concretas para a melhoria das condições do País e com uma nova maneira de se fazer política, e acompanhar os atos dos eleitos é de suma importância. Se não houver também uma mudança de mentalidade das pessoas, corre-se o risco dessa "onda de manifestações" terminar sem qualquer resultado prático.

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