Protesto, legalidade e legitimidade
Milhares de pessoas em todo o Brasil devem voltar às ruas hoje em mais um protesto contra a presidente Dilma Rousseff (PT). Ao contrário das manifestações iniciadas antes da realização da Copa do Mundo, em junho do ano passado, agora a pauta de reivindicações está mais clara e visa demonstrar a insatisfação contra a chefe do Executivo nacional. Com relação a 2014, o cenário foi agravado pelas investigações da Operação Lava Jato, que mantêm presos líderes petistas acusados de desviar recursos da Petrobras e de enriquecimento ilícito, e pela crise econômica.
Especialistas consultados pela reportagem da FOLHA avaliam que ainda não há "clima" para impeachment. Embora já tenham sido encontrados indícios de doações ilegais para a campanha da presidente do ano passado, o nome de Dilma ainda não foi vinculado diretamente ao esquema e, portanto, não há parâmetros legais para iniciar um processo de perda de mandato. O outro ponto que vem sendo questionado são as chamadas "pedaladas fiscais", prática também adotada por outros presidentes e que continua pendente na Justiça. Portanto, ainda não há razões legais.
No entanto, um governo também se apoia na legitimidade. E aqui cabe acrescentar que Dilma a perdeu já há algum tempo. Operação Lava Jato e uma crise política há muito não vivenciada no País são alguns dos ingredientes que compõem o atual quadro. No entanto, hoje será testado exatamente o grau de insatisfação da população. Mesmo que menos pessoas voltem às ruas, é importante acrescentar que o comportamento dos brasileiros já mudou. A tradicional passividade foi abandonada, tanto que a indignação está sendo externada sob a forma de "panelaços" e "buzinaços" durante o programa eleitoral.
De qualquer forma, é importante avaliar qual o cenário menos catastrófico para o País: continuar com um governo em ruínas ou sofrer as consequências de um penoso processo de cassação?





