Protesto e desabastecimento
O protesto articulado por caminhoneiros autônomos que começou em alguns municípios das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná e em alguns pontos do Mato Grosso aos poucos atingiu grandes proporções. No total, a greve paralisou o setor de transporte em 46 rodovias paranaenses e atinge outros seis Estados do País: Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Goiás. As reivindicações são legítimas e, no atual cenário de crise enfrentado pelo País, é natural a mobilização de diversas categorias profissionais.
No entanto, o problema é quando a população passa a ser a maior prejudicada com a questão. Há riscos de desabastecimento, isso é fato. No entanto, não é motivo para que empresários subam aleatoriamente o preço de produtos em estoque. Essa suposta ameaça provocou filas enormes em postos de combustíveis, como relata reportagem de hoje desta FOLHA. E houve revendedores que aproveitaram "o aumento da demanda": rapidamente o preço do litro da gasolina foi elevado para R$ 3,94. Raramente o varejo responde desta maneira quando a questão é inversa.
Por isso, neste momento, é importante que os órgãos de fiscalização fiquem atentos e acompanhem mais de perto essa "variação de preços". Os consumidores não podem ser penalizados.
No entanto, é de se esperar que a reunião que será realizada hoje entre governo federal, representantes de caminhoneiros e do setor empresarial tenha resultados positivos. O governo acena com a prorrogação relativa ao programa de crédito do BNDES, chamado ProCaminhoneiro e com a regulamentação da Lei dos Caminhoneiros, já aprovada pelo Congresso Nacional. A redução do preço do óleo diesel não entrará na discussão.
Se décadas atrás a política federal foi a de incentivar o transporte rodoviário, agora é preciso garantir que esses trabalhadores autônomos recebam remuneração adequada. No entanto, a população não pode ser penalizada com a falta de produtos essenciais, ser obrigada a enfrentar longas filas ou a formar estoques. É preciso bom senso a todas as partes envolvidas na questão.





