O clima ficou tenso na Casa de Custódia de Londrina (CCL) na noite de ontem, com uma rebelião liderada por 240, dos 320 presos, que estavam em greve de fome desde a noite de segunda-feira. Eles protestavam contra a proibição de entrega de sacolas de alimentos, feita por familiares às quartas-feiras, e o corte de energia depois da meia-noite.
O Centro de Direitos Humanos (CDH) foi chamado pelo diretor da CCL, o major Edison Marcos Tomas para negociar com os grevistas. Às 18h30, pouco antes de a comissão do CDH entrar nas galerias, começou o tumulto. Os presos batiam nas grades das celas e gritavam. A entrada da comissão foi suspensa, por motivos de segurança.
O coordenador do CDH, advogado Jorge Custódio, e os outros integrantes da comissão, estranharam o fato. ‘‘Na semana passada estivemos aqui constatando denúncias de maus-tratos. Agora encontramos esta situação e a direção disse que os presos estão protestando contra as medidas tomadas, mas nós não sabemos o que está acontecendo de fato, já que não podemos entrar’’.
Custódio conversou por telefone com o juiz corregedor Roberto do Valle, que orientou a comissão a falar com os presos no dia seguinte, na presença, se necessário, do Pelotão de Choque. Na sequência, os presos começaram a queimar colchões e lençóis.
Apesar de alegar que era um fato isolado em uma única cela e dizer que a situação estava sob controle, o major Tomas solicitou a presença do Pelotão de Choque e do Corpo de Bombeiros. Sete viaturas com mais de 30 homens chegaram na CCL por volta das 20 horas e iniciou-se uma revista nas galerias, com o objetivo de retirar fósforos e isqueiros dos presos.
A comissão do CDH pediu para acompanhar a revista e garantir que não houvesse violência. O major Tomas tentou demover a comissão da idéia, a pedido do pelotão de choque, dizendo que os homens teriam que agir com ‘‘energia’’. A comissão insistiu e dois representantes, Custódio e Rosângela Ferreira, entraram com o pelotão.
Depois de algum tempo a advogada Rosângela Ferreira saiu para falar com a imprensa e disse que o CDH acompanhou a retirada das celas dos presos da galeria 2, mas não podia acompanhar o retorno. ‘‘Eu não pude ver, mas escutei barulhos semelhantes a pancadas e os presos gritando’’, afirmou. A advogada disse ainda que foi ofendida moralmente por dois policiais do Pelotão de Choque.
Em seguida, Custódio saiu e disse que o CDH poderia novamente acompanhar toda a revista. Até às 21h30 a revista ainda continuava. Duas bombas de efeito moral haviam sido jogadas até este horário.

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