Protecionismo e barbárie
O candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sido pródigo em defender o protecionismo sistemático contra a concorrência internacional, prometendo imitar os governos francês e norte-americano, que usam desse instrumento episodicamente. A claque dos ignorantes aplaudiu de imediato, assim como a dos interesseiros, os ávidos por uma política industrial, como é o caso da liderança da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Estão certos?
Evidente que não. Um exame da questão na literatura econômica vai mostrar que não há solução melhor para os países do que o livre comércio. As trocas internacionais possibilitam o enriquecimento do conjunto dos países, desde que não haja intervenção governamental, distorcendo os preços relativos. Essa verdade ficou auto-evidente desde Adam Smith.
O que os políticos fazem é enganar a sua população, confundindo privilégios particulares como se eles fossem um ganho para o conjunto da nação. Isso é falso. Quando George W. Bush sobretaxa o aço brasileiro, ele não está ajudando os EUA como nação, está na verdade prejudicando-a, pois o que de fato está fazendo é encarecer um insumo básico que terá reflexos altistas nos preços em toda a sua cadeia produtiva. Da mesma forma, o suco de laranja: ao encarecê-lo com impostos compensatórios, ele apenas está prejudicando os consumidores. Nada mais.
Em outras palavras, está tolhendo a liberdade das pessoas de comprarem produtos melhores, a mais baixos preços.
Se todos os países, em simultâneo, aplicassem esse tipo de política, haveria uma crise catastrófica em escala mundial, nos mesmos moldes da crise de 1929. Protecionismo é barbárie da pior espécie, uma combinação de ignorância dos muitos e ganância de uns poucos, contra os interesses gerais. Quem protege o seu mercado está apenas desprotegendo a sua economia e penalizando a sua população. A verdade é exatamente o oposto do senso comum.
Retaliar esse tipo de ação, como demonstrou Alceu Garcia em um dos seus brilhantes textos, não faz sentido. Ainda é melhor política absorver os ganhos de produtividade que os mais baixos preços internacionais podem gerar para a economia interna. Um país não pode ser administrado como uma guilda medieval ou como um bloco monopolista. Em uma economia complexa como a brasileira, proteger qualquer setor isolado significará perda de produtividade global para o sistema como um todo. É empobrecer toda a economia.
Aqui, como em outros assuntos, Lula demonstrou o seu despreparo. Faz do lugar-comum, do preconceito do vulgo, um elemento formulador de política, violando as verdades superiores. Um país não é um grêmio sindical, mas vai ser difícil explicar a Lula Lá a diferença.
É a vanguarda do atraso e da ignorância.
- JOSÉ NIVALDO CORDEIRO é economista e mestre em Administração de Empresas pela FGV-SP





