‘‘A natureza também pertence aos que ainda estão por nascer’’ (lema do Batalhão de Polícia Florestal)
Em 04 de abril de 1957, há quarenta e um anos passados, com a denominação de Corpo de Policiamento e Florestal (CPF), criou-se o embrião do que seria o atual Batalhão de Polícia Florestal (BPFlo).
Unidade da Polícia Militar do Paraná, especializada na proteção ao meio ambiente, cumpre sua missão constitucional, realizando atividades de educação ambiental para orientar e conscientizar as gerações futuras, efetuando o patrulhamento ostensivo e fiscalização para dissuadir eventuais práticas de infrações ambientais ou para, no caso de infratores contumazes, cumprir e fazer a legislação ambiental.
Numa época em que, no Brasil, era diminuto o nível de consciência preservacionista, os integrantes do Batalhão Florestal iniciaram e mantiveram-se fiéis, desde então, ao cumprimento da missão de proteger o meio ambiente.
Durante mais de quatro décadas, policiais militares florestais de diferentes idades, oficiais e praças, se revezaram, diuturnamente, realizando um trabalho que, sabiam, não pode parar.
Sujeitos a um regime especial de trabalho, os policiais florestais não encerram suas atividades às 18 horas nos dias de semana, tampouco deixam de realizá-las nos feriados, sábados e domingos. Pelo contrário, dedicam-se à causa ambiental, plenamente, nos trezentos e sessenta e cinco dias do ano, trabalhando de forma ininterrupta pela conservação ou preservação ambiental.
Cada policial florestal, integrante do Batalhão de Polícia Florestal, trabalha sob condições adversas, incrustado nas matas e florestas, exposto às intempéries, isolado e afastado do convívio familiar, às vezes por longos períodos.
Sua dedicação é tanta que, envolvido e motivado pelo nobre trabalho que realiza, mal tem tempo para perceber que raramente seu esforço é reconhecido. Internamente, porque a formação profissional, essencialmente ética que recebemos, torna difícil manifestações sobre desempenho pessoal, embora isso seja comum no meio empresarial e em outros órgãos públicos.
Externamente, porque o crescente e ora consumado processo de urbanização, impede que os cidadãos percebam os trabalhos de fiscalização ambiental, realizados através de patrulhamento motorizado, a pé, aquático e aéreo, predominantemente fora do meio urbano, nas matas e florestas.
Mas, os resultados desses trabalhos falam por si: quando se apreendem armas e armadilhas, diminui-se o potencial de danos ambientais e a dizimação de espécies, várias já sob ameaça de extinção; quando se efetua uma prisão, sua divulgação dissuade e desestimula a ação nociva de outros infratores da legislação que não respeitam o meio ambiente como um direito de todos; quando se orienta uma criança, com base na educação ambiental, se prepara a geração futura para uma harmoniosa convivência com a natureza.
Em 1997 - ano recém findo - o Batalhão da Polícia Florestal:
- atendeu a 4753 ocorrências, 27,7% a mais do que no ano interior.
- realizou atividades de educação ambiental que abrangeram aproximadamente 40 mil pessoas, entre escolares de 1º e 2º graus, grupos escoteiros e empresas.
- cumpriu serviços especificamente de proteção à flora, à fauna e ao meio ambiente em geral, em torno de 3.500 atendimentos, crescendo 29%;
- Efetuou autuações por infrações ambientais com crescimento de 73%;
- A receita decorrente dessas autuações apresentou expectativas de crescimento de 32% em relação ao ano anterior.
Aparentes gotas no oceano, cada um desses trabalhos é uma contribuição efetiva para a proteção ao meio ambiente. Afinal, não por acaso, temos em nosso Estado a área de Mata Atlântica melhor preservada no país (lá estão 140 homens do BPFlo, protegendo-a diuturnamente).
Ao longo do tempo, políticas de governo se sucederam, pessoas idealistas e órgãos (governamentais ou não) dedicados à causa ambiental deram a sua contribuição, mas poucos terão estado, por tanto tempo, de forma constante e com presença física ininterrupta, protegendo a biodiversidade paranaense, como patrimônio de toda a sociedade.
Por isso, policial militar florestal, ao ouvir o canto alegre dos pássaros, o rumorejar suave e borbulhante das águas, o terno balanço das folhas nas árvores e o zunir livre e manso do vento, nas matas, florestas e rios em que você trabalha, receba-os como reconhecimento da própria natureza.
Uma natureza que se manifesta agradecida àquele que desempenha, com disposição, ideal e persistência, os trabalhos típicos de um ‘‘guardião ambiental’’, com a consciência da importância das atividades que realiza; atividades estas que caracterizam o papel de um verdadeiro Protetor do Meio Ambiente.
- ABELMÍDIO DE SÁ RIBAS é tenente-coronel, sociólogo e bacharel em Direito, atualmente comandante do Batalhão de Polícia Florestal da PMPR.

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