Políticas de proteção à infância foram um tema bastante discutido na última semana, principalmente com a realização de encontro, no Vaticano, onde o papa Francisco e bispos de todo o mundo discutiram formas de enfrentamento a casos de abusos contra crianças e adolescentes. O pontífice anunciou sete estratégias para "acabar com a violência contra as crianças" por parte da Igreja Católica e garantiu que a Igreja não será poupada em fazer todo o necessário para levar à justiça quem cometeu tais crimes.

A reunião realizada em Roma é um marco na história da Igreja Católica, principalmente porque surgem denúncias em vários países de abusos sexuais contra adolescentes cometidos por padres ou outras lideranças religiosas. Francisco quer deixar claro para todos o que a Igreja deve fazer nestes casos e eleger atitudes de prevenção. O posicionamento do Vaticano é importante e chama a atenção para que famílias, escolas e comunidades se preocupem em observar suas crianças e denunciar situações suspeitas.

Muitos abusos acontecem em casa e são cometidos por pais ou outros parentes. Nesses casos, os filhos acabam tendo a guarda retirada de suas famílias e muitos vão viver temporariamente em instituições que acolhem crianças em situações de risco ou que entraram para o Cadastro Nacional de Adoção.

Na edição do último fim de semana (23/24), a FOLHA trouxe em reportagem uma radiografia sobre as três casas de acolhimento de crianças e jovens em Londrina. Mesmo longe dos abusos ou de uma situação de extrema miséria, a vida não é fácil nessas instituições - mesmo contando com todo o esforço que voluntários e funcionários fazem para superar as dificuldades que o setor enfrenta, principalmente a falta de recursos financeiros. O município repassa parte do valor das despesas, mas sem doações da comunidade seria impossível manter as portas abertas.

O trabalho realizado nessas casas de acolhimento é uma mostra importantíssima do papel que a assistência social ocupa entre um público tão carente. Mesmo que não falte alimentação, educação e roupas limpas, há que superar cicatrizes, dores e traumas. O carinho e a atenção dos funcionários e voluntários são essenciais, mas uma ajuda psicológica por parte do serviço público de saúde seria bem-vinda. É um trabalho em conjunto, a união de forças que garantirá que essas entidades de acolhimento sejam de fato um espaço de proteção e do estabelecimento de um vínculo saudável com a comunidade.

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