PROSTITUIÇÃO INFANTO-JUVENIL - Não há solução a curto prazo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Célia Polesel<br>Reportagem Local 
A promotora da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Edina Maria Silva de Paula, diz que se há prostituição infantil é porque existem pessoas que pagam por isso. Ela defende que se vive hoje muito mais uma crise ética do que jurídica. ''Somente quando os homens pararem de se servir dessas meninas e tiverem consciência que, por trás do corpo 'bonitinho' e 'gostosinho', existe um ser humano em desenvolvimento, vamos acabar com a prostituição infanto-juvenil.''
Existe prostituição infantil em Londrina?
Não conheço caso em Londrina de prostituição de crianças. Já a prostituição juvenil ou da adolescente existe e é uma situação complicada de resolver. O que nós podemos oferecer à adolescente que ''precisa de dinheiro'' ou foi educada na cultura de que o dinheiro é o mais importante? Como vou convencer essa menina a sair da prostituição? É uma crise de valores.
E quem explora essas adolescentes?
A maioria dos que exploram não são familiares. Ficamos sabendo que a maioria dos hotéis de Londrina tem book das meninas e, quanto menor a idade, mais caro é o programa. Agora, essa é uma situação complicada porque na Justiça o que vale são as provas. Então, veja: entre a promotora saber ou vir alguém e contar e, depois, conseguir as provas, vai uma grande distância. Eu já tenho dito que ou você vem e fala e eu posso colocar no papel, ou então não venha contar somente para encher meus ouvidos, porque eles não são pinico.
O número 100, divulgado pela televisão para denúncias de exploração e abuso sexual, tem uma central nacional de atendimento? As denúncias desse tipo de crime cometido na cidade são repassadas para quem em Londrina?
Existe um cadastro do qual o (Projeto) Sentinela faz parte. Por isso, ele participa das batidas e recebe as denúncias. Quando o programa recebe denúncia que vem de Londrina, ele encaminha por meio da Secretaria de Direitos Humanos para o Ministério Público, para o conselho tutelar e demais órgãos de atendimento à criança e adolescente, para que se possam articular as ações.
Quem é responsável pela verificação das denúncias, fiscalização e combate à prostituição infanto-juvenil?
A polícia é responsável por esse trabalho. Aliás, a mais efetiva função da polícia é a investigação.
Mas com o número de policiais que Londrina tem hoje é possível fazer esse trabalho com a eficiência necessária?
Esbarra na questão da falta do efetivo policial. É claro que o efetivo que existe na rua vai priorizar situações de violência física, quando se tem tiroteio no Centro da cidade, com bala perdida. Agora, criança e adolescente são prioridades. Está na nossa Constituição. Isso precisa sair do papel para se tornar uma realidade. Fica extremamente complicado para mim, enquanto agente do poder público, dizer: olha, você vai priorizar a questão da prostituição juvenil e vai permitir que os bandidos fiquem no meio da cidade dando tiro em todo mundo. É uma questão de vida ou morte, nesse momento. Agora eu, como promotora da Vara da Infância e Juventude, vou buscar sempre que o efetivo policial vá atrás das ações que irão melhorar as condições de vida da criança e do adolescente. Acredito que o baixo efetivo policial é o pior problema de segurança de Londrina, e não vejo como resolver a curto prazo.


