A prostituição de adolescentes nas ruas de Londrina - assim como no restante do País - é uma realidade que não pode continuar sendo ignorada. O problema está escancarado, agora é preciso solucioná-lo. Não é uma tarefa fácil, uma vez que é preciso atacar o cerne da questão. A maioria das meninas são carentes e apresentam histórico familiar conturbado, com episódios de violência e abandono. Muitas vezes acuadas, vão parar nas ruas e acabam conhecendo o mundo das drogas. Para sustentar o vício, uma das únicas saídas é a prostituição.
Em um paralelo com os registros de gravidez na adolescência, problema que já foi abordado nesta FOLHA, muitos casos ocorreram simplesmente por falta de perspectiva de vida para as meninas. Sem conhecimentos adequados de educação sexual, sem qualquer qualificação profissional e sem oportunidades de conseguir um bom emprego, as adolescentes optam pela gravidez. Para elas, ter um filho é uma forma de ascensão social, de deixarem a casa dos pais. Os avanços da sociedade, como a inserção da mulher no mercado de trabalho, infelizmente não chegaram a essa parcela da população. E os números refletem isso, uma vez que em alguns hospitais do Estado, do total de atendimentos a gestantes cerca de 20% são de menores de 18 anos. Um índice muito alto.
É preciso intensificar investimentos em educação e em qualificação profissional. Essas meninas e adolescentes têm direito a uma outra expectativa de vida e devem poder sonhar com um futuro melhor. A educação ainda é a chave para a solução de problemas como esse. Além disso, é preciso intensificar a investigação e a fiscalização em pontos conhecidos de prostituição, motéis e hotéis. Adultos flagrados praticando sexo com menores de idade devem ser duramente responsabilizados. A lei impõe penas que podem variar de dois a seis anos de prisão, mas o próprio Ministério Público admite a dificuldade na obtenção de provas concretas de exploração sexual comercial envolvendo menores de idade.
O problema é sério e pede soluções efetivas. É preciso empenho e um trabalho integrado entre órgãos públicos, entidades e sociedade para tirar crianças e adolescentes das ruas.

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