Gigante na fabricação de aviões, foi em 1994, depois da privatização, que a Embraer deu um impulso significativo produção de jatos executivos. O primeiro modelo foi o Legacy 600. Depois vieram o Phenom 100 e Phenom 300, ambos lançados em 2005, o Lineage 1000, que chegou ao mercado em 2006, os modelos Legacy 450 e 500, lançados em 2008, e o Legacy 650, criado em plena crise mundial.
Os investimentos maciços em alta tecnologia, desenvolvimento de produtos e relacionamento com cliente transformaram os aviões executivos da empresa brasileira num sucesso de vendas dentro e fora do País. Em entrevista à FOLHA, o vice-presidente de aviação executiva da Embraer, Luís Carlos Affonso, aborda o crescimento do Brasil no setor e prevê um futuro promissor, que deve colocar o País nos próximos 10 anos no segundo lugar no consumo dessas aeronaves.
Qual a importância do Brasil no mercado mundial de vendas de jatos executivos?
Assim como na economia, e até mesmo como um reflexo direto da conjuntura e perspectivas econômicas, o Brasil deverá se consolidar como um dos maiores mercados para a aviação executiva mundial. Nos próximos 10 anos, além de poder se tornar a quarta maior economia mundial, o Brasil poderá se tornar o segundo maior mercado consumidor de jatos, atrás apenas dos Estados Unidos.
Que cenário o senhor vislumbra para os próximos anos?
Nossa estimativa é que o Brasil absorva por volta de 550 jatos nos próximos 10 anos, o que equivalerá a um mercado de US$ 6,3 bilhões. Caso se reverta em realidade, o mercado brasileiro representará cerca de 57% das vendas latino-americanas ou mais de 5% da demanda mundial em 10 anos. Para efeito de ilustração, este volume ainda é superior ao que esperamos para o mercado chinês, no mesmo período.
E no que diz respeito aos serviços relacionados à operação de jatos executivos?
A atratividade não deve ser menor. Pelo contrário, no médio e no longo prazos projetamos uma solidificação do mercado de serviços para a frota brasileira de jatos executivos, com o fortalecimento dos operadores charter, o aparecimento de novas alternativas de propriedade, como a propriedade compartilhada, além do crescimento do negócio de gerenciamento de frotas. Estes dois últimos já são indústrias relativamente maduras nos Estados Unidos e facilitam em muito o acesso dos clientes aos benefícios da aviação executiva.
Até que ponto a falta de infraestrutura ameaça a expansão do setor?
Como em qualquer negócio, as bases para o desenvolvimento de mercado são as políticas, as econômicas e as relacionadas com a infraestrutura existente para que uma oportunidade de mercado vingue. Na aviação executiva não é diferente. Sabemos que o Brasil enfrenta uma série de desafios estruturais na aviação, mas acreditamos também que a iminência dos grandes eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos devam acelerar os investimentos em aeroportos e pistas, tanto no âmbito estatal como no privado, ou até mesmo sob o modelo PPP's (parcerias público-privadas). O avanço da aviação regional com o aumento da competição também é um fator importante para o desenvolvimento da infraestrutura da aviação executiva, já que esta baseia-se no tráfego ponto a ponto, de localidades secundárias, similarmente ao que hoje é intencionado por operadoras como a Azul, por exemplo.
Quantos aviões executivos a Embraer voam hoje no País?
Atualmente a frota Embraer de jatos executivos encontra-se em franca expansão, principalmente pela grande aceitação dos clientes nacionais dos modelos Phenom 300. Até dezembro de 2010 eram 56 Phenom 100, cinco Phenom 300, 19 Legacy 600 e dois Lineages em operação no Brasil.
Nesse segmento, como é a relação cliente/empresa?
O relacionamento entre os clientes da aviação executiva de jatos e as empresas fabricantes é direta e, na medida do possível, personalizada. Porém, o relacionamento é permeado por vários interlecutores do cliente. Para cada aeronave vendida, várias outras frentes de relacionamento são cultivadas: uma com o proprietário da aeronave, uma com um banco financiador, outra com a tripulação e outra com um gerente da aeronave, além dos usuários da cabine. É extremamente importante que o fabricante identifique as necessidades de cada um, pois a experiência na relação com a empresa é fruto da composição do relacionamento com todos esses interlocutores.
Quem são os consumidores desse produto?
Atualmente há mais de 17,9 mil jatos executivos em operação no mundo. A fragmentação da base de clientes e operadores da aviação executiva de jatos é enorme quando comparada ao universo de empresas aéreas da aviação comercial. São poucas as empresas que possuem uma frota com mais de 10 jatos executivos. O maior segmento da aviação executiva mundial é o de empresas (bancos, montadoras, refinadoras e extratoras de petróleo, grandes laboratórios etc), que participa com mais de 60% da frota. Em segundo lugar, as empresas de propriedade compartilhada e operadores charter correspondem a aproximadamente 25%. Usuários privados (indivíduos proprietários) somam os 15% restantes.

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