Prós e contras da classificação de menor risco
A recente classificação de menor risco para investir no Brasil (o investment grade, uma avaliação da agência Standard Poors), sem dúvida trará benefícios, por via de mais investimentos externos, mas também alguns problemas. Porque, se o aumento de negócios de fora vai trazer mais dólares, também a remessa de lucros e dividendos para o exterior aumentará. As empresas estrangeiras no Brasil já estão obtendo grandes lucros, e, por causa de prejuízos que amargam em outros países face à crise mundial, elas intensificaram o envio de recursos auferidos em nosso país para atender a essa emergência.
Se a melhoria do grau de investimento é uma boa notícia, o Brasil também pode converter-se em ponto de socorro das multinacionais que estão com lucratividade em baixa em outros pontos do mundo, uma manobra que é favorecida pelo dólar baixo, ou seja, reais ganhos no Brasil valem maior quantidade de dólares. Teme-se também que o aumento do volume de capital estrangeiro jogue o dólar ainda mais para baixo, e isso prejudicará o ganho com as exportações, diminuindo o superávit. O Banco Central contra-argumenta que tudo isso está sob controle e louva a conquista obtida pela classificação de agora, afirmando que os novos investimentos que chegarão, e o aumento dos atuais, irão para a linha de produção, com todos os benefícios daí decorrentes. Como a geração de empregos, que são molas propulsoras do consumo, a intensificação do giro do dinheiro e por consequência o crescimento econômico.
Deve-se avaliar se essa cotação do Brasil é devida a uma real garantia que o País dá aos investidores externos ou ocorre porque outros países não estão proporcionando a mesma segurança no momento. Os Estados Unidos e a Europa passam por uma retração, e o Brasil - com boas ou más políticas públicas - é um país com indiscutível potencial, por múltiplas razões mas principalmente porque é um produtor de uma infinidade de matérias-primas (com destaque para as alimentares) e produtos manufaturados, sem risco de que isso venha a cessar, mas ao contrário, com o indicativo de aumento, como já vem acontecendo.
De qualquer modo, a subida do ranking da qualidade-Brasil deve ser festejada, mas exige também sábias cautelas no gerenciamento dessa nova e promissora realidade, porque - por óbvios interesses e porque ninguém vem fazer generosidade e sim para ganhar - o olhar externo estará cada vez mais voltado para este país. Que se não superou ainda suas misérias internas e as enfermidades da gestão governamental, é um dos redutos mais ricos e cobiçados do planeta.





