Propostas para o setor são vagas
Curitiba Além de comentar as inclinações pessoais no que se refere à cultura, os principais candidatos também apresentaram à Folha as suas propostas culturais. Nenhuma novidade ou mudança radical do que se viu no último governo foi apontada. Pelo contrário, alguns candidatos demostraram certo desconhecimento quando se trata do assunto, propondo até mesmo a criação de programas já existentes.
O candidato petista Padre Roque, por exemplo pretende criar um Conselho Estadual de Cultura. O conselho já existe. Foi instituído por meio de decreto assinado em 1995. Em março deste ano, 24 novos integrantes foram nomeados para compor o conselho e têm mandato de dois anos. Padre Roque também propõe, se for eleito, reestruturar e fortalecer a TVE - Rádio e Televisão Educativa do Paraná. A TV Educativa hoje atende pelo nome de Canal Paraná e foi totalmente reestruturada no início do ano, inclusive ganhando novas instalações, no Canal da Música.
Padre Roque também fala em ampliar o programa Caravana Cultural. Na verdade, a Secretaria de Cultura desenvolve o programa Comboio Cultural, que são ônibus reformados que atuam em várias áreas artísticas e levam a programação para o interior do Estado. O Comboio encerrou a agenda este ano, depois de apresentações no Rio de Janeiro.
Roberto Requião quer consolidar e aprimorar a aplicação da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e Beto Richa quer ''implantar'' a mesma lei. O fato é que a lei saiu do papel nesta semana, depois de tramitar por cinco anos, quando os membros da comissão que devem aprovar os projetos inscritos foram escolhidos em assembléia. O desafio para quem for eleito, nesse caso, será garantir que a lei seja cumprida sem a morosidade que acontece hoje na Lei Municipal, por exemplo, que demora até cinco anos para analisar as propostas.
O próximo governador também vai ter o desafio de criar mecanismos de fiscalização para a utilização desses recursos e evitar o que aconteceu na Conta Cultura o mês passado, quando cinco projetos foram fraudados para receber os benefícios. Mecanismos como esse são propostos, ainda que sem definição, pelo candidato Padre Roque.
Outras propostas dos candidatos na área são bastante vagas e, por isso, de difícil análise. Alvaro Dias discursa: ''Nosso plano de governo inclui a valorização e promoção dos potenciais e expressões artísticas locais e também a criação e dinamização de oficinas culturais nas áreas mais carentes, em todo o Estado''.
Requião promete ''democratizar o acesso aos recursos oriundos da Lei de Incentivo, bem como aumentar os recursos para investimentos na produção cultural independente'', mas não divulga como esses recursos serão angariados.
Já Beto Richa, numa proposta também bastante vaga, promete ''implantar sistema de descentralização das ações da cultura, através de regionais e convênios, visando dar agilidade, eficiência e transparência às mesmas''.
Nesse ritmo nada enfático, os candidatos apresentaram as propostas para a área cultural. Analisá-las pode ser um desafio tão grande quanto compreender um filme de David Linch.





