Abrir as portas para a sociedade civil atuar nos espaços da política institucional é um movimento importantíssimo e pouco visto em muitos municípios brasileiros. Em Londrina, a democracia participativa se fortaleceu com a reunião realizada na sexta-feira (19), na Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) com a presença de integrantes do Núcleo Empresarial de Londrina e deputados estaduais eleitos pela Região Norte.

O objetivo do encontro foi apresentar propostas para o desenvolvimento de Londrina e região. Na pauta de discussão estavam dois projetos considerados relevantes pelas entidades que integram o núcleo: a ressignificação do quadrilátero central de Londrina e o Projeto Eixo 2050, que prevê a construção de duas pontes sobre o rio Tibagi.

O projeto para a modernização do quadrilátero central já está pronto e prevê obras nas proximidades ao Teatro Ouro Verde. A proposta é que seja feito o enterramento da fiação elétrica e de telecomunicações, a recuperação do piso em petit pavet, a construção de quiosques, entre outras melhorias. Um investimento de R$ 29 milhões. Posteriormente, outros investimentos seriam feitos para estender as obras de revitalização por todo o Calçadão.

A necessidade de readequação do Calçadão da Avenida Paraná é uma unanimidade entre os parlamentares que participaram da reunião. Todos eles consideram a reforma fundamental para o desenvolvimento do município.

Mas em relação à construção do Eixo 2050, no entanto, há divergências. Conforme o projeto, seriam construídas duas estradas no sentido leste-oeste de Londrina. A primeira, partindo da BR-369, em Arapongas, passando por Londrina ao norte da zona de amortecimento do Parque Estadual Mata dos Godoy e seguindo até a PR-090, em Assaí (Região Metropolitana de Londrina).

A segunda estrada partiria da BR-369, em Apucarana, seguiria pela parte sul da Mata dos Godoy, passaria pelos distritos de Guaravera, Irerê e Paiquerê, pelo município de São Jerônimo da Serra e terminaria em Nova Santa Bárbara (Norte Pioneiro). As duas estradas cruzariam o rio Tibagi.

Parlamentares ouvidos pela reportagem consideraram viável apenas a estrada que ligaria Apucarana ao Norte Pioneiro porque cria um novo ramal industrial para a cidade de Londrina. Mas alertaram as lideranças que teria que ser feito um projeto com urgência, até abril de 2026, devido às eleições do ano que vem.

Independentemente de quais obras seriam realmente prioritárias para a região, os parlamentares que participaram da reunião frisaram que nenhuma proposta avança sem projetos e adiantaram que o município não dispõe de capital humano em quantidade suficiente para realizá-los neste momento.

O secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Tecnologia, Marcos Rambalducci, informou que a administração tem atuado para corrigir essa deficiência. Além de um chamamento público aberto no momento para a contratação de 30 profissionais, o município tem recorrido à terceirização para elaboração de parte dos projetos.

Segundo os deputados, o Paraná atravessa um momento de abundância de recursos para a execução de obras em todo o Estado, disponibilizando mais de R$ 30 bilhões para esses fins. Mas muitas obras não acontecem por falta de projetos.

A dica é valiosa para todos os municípios: Com planejamento estratégico é mais fácil acessar recursos estaduais, federais ou internacionais. Projetos consistentes aumentam a credibilidade junto a financiadores e permitem o desenvolvimento sustentável das cidades.

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