As falhas no atendimento de pacientes psiquiátricos ainda vai longe?
Agora está se chegando ao que é indicado. Sabem que é necessário uma equipe multidisciplinar e reintegração social. Mas a normatização tem algumas falhas e são conceituais. Imagine uma pessoa que é diagnosticada pelo plano de saúde com quadro de depressão. O que ele vai ter de oportunidade é uma consulta em 30 dias. Se eu tenho um paciente grave com quadro depressivo, o objetivo é devolvê-lo ao trabalho e à comunidade o mais rápido possível. Pegando o exemplo de um hospital particular, dependendo do caso, o atendimento pode ser no mínimo uma vez por semana. Assim é possível acompanhar de perto o resultado da medicação. Em média o antidepressivo começa a fazer efeito em até 14 dias. Então prescrevo, vejo como estão os efeitos colaterais e em duas semanas conseguimos avaliar o quadro.

O que é necessário para que o atendimento pelo plano fique perto do ideal?
É necessário que o médico credenciado pelo plano de saúde seja idôneo. Que o gestor do plano confie no profissional quando ele diz que o atendimento deve ser mais frequente. Se atender uma vez por mês, o médico vai ter uma dificuldade muito grande de acompanhar o tratamento. Às vezes o paciente é afastado por motivo de doença e acaba se perdendo. O plano cobre 30 dias de internação por ano. Se o indivíduo tem um quadro de transtorno bipolar, em que ele altera estados de depressão e mania (excitação), pode ser que no ano seja necessário interná-lo mais de uma vez. Caso tenha uma recaída o retorno é rápido, não vai ficar novamente um mês inteiro internado. O ideal é que o plano e a Agência de Saúde sejam melhor orientados no sentido de discutir isso com os profissionais.

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