Curitiba - Os motoristas e cobradores de Curitiba e região metropolitana decidiram dar uma trégua de dois dias aos empresários do transporte coletivo. A decisão - de iniciar uma greve somente na quinta-feira, caso as reivindicações não sejam atendidas - foi tomada ontem à noite, em assembléia na Praça Rui Barbosa, no centro da Capital. Dois motivos pesaram na decisão: a pouca adesão ao movimento e um apelo feito pelo Ministério do Trabalho, que está intermediando as negociações.
Os trabalhadores querem equiparação com o piso salarial pago em Foz do Iguaçu, que é de R$ 895,00 para motoristas e R$ 537,00 para cobradores, o que representaria um reajuste de aproximadamente 33%. Os donos das empresas de ônibus ofereceram ontem à tarde salário inicial para motoristas de no máximo R$ 710,00 (o cobrador ganha 60% dos vencimentos do motorista). O sindicato dos trabalhadores defende no mínimo R$ 740,00, o que representaria a reposição da inflação mais 5%. Hoje, os motoristas ganham R$ 668,00 e cobradores R$ 388,00. O último reajuste foi de 6% agregado aos salários em fevereiro de 2001.
Além do reajuste salarial, os trabalhadores pedem ainda readequação no valor da cesta básica - hoje de aproximadamente R$ 25,00 -, plano de sa© úde, aumento das horas-extras, reajuste no valor do vale-alimentação e repasse do benefício aos motoristas que cumprem dupla jornada, remuneração de 50% do salário para motoristas de microônibus, que exercem dupla função.
Mais de 2 milhões de pessoas da Grande Curitiba dependem diariamente dos ônibus como meio de transporte. O sindicato dos trabalhadores prometia fazer piquete em frente a todas as empresas para impedir a circulação dos ônibus. A frota que atende o sistema integrado de transporte é composta por 2,1 mil veículos. A Urbs, confiante no recuo dos motoristas e cobradores, prometia montar um esquema de emergência para diminuir o impacto da paralisação, o que não foi necessário.
As negociações entre sindicato e empresários do setor começaram em outubro do ano passado, um mês antes da data-base da categoria. Ontem, foi a primeira vez que o os dois lados sentaram para negociar, depois do anúncio de uma possível greve feito na semana passada. Foram quase cinco horas de conversa com a intermediação do procurador do Ministério do Trabalho, Ricardo Bruel da Silveira, e de representantes da Urbanização de Curitiba - órgão vinculado à prefeitura e responsável pelo transporte.

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