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Propósitos sustentáveis para a gestão das organizações


É comum nessa época do ano as organizações repensarem seus objetivos e projetos buscando alinhá-los com sua missão, visão e valores. São múltiplos os desafios que o gestor de qualquer organização, seja pública ou privada, encontra na busca de planejar suas ações, principalmente se a proposta estiver alinhada em atender ao desenvolvimento sustentável. Vale lembrar o conceito de desenvolvimento sustentável definido pela ONU que diz que é “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. 

Desta forma, os administradores poderão ficar em dúvidas em relação às prioridades das organizações ao definirem seus planos. Pois, na maioria das companhias privadas, as ações voltadas ao retorno econômico imediato são sempre colocadas à frente, o que é compreensível tendo em vista a finalidade para que foram constituídas. Mas então, surgem algumas questões para refletirmos: dentro do ambiente das empresas com fins lucrativos, haverá a possibilidade de promover-se uma relação onde todos (empresa, meio ambiente e sociedade) alcancem o desenvolvimento sustentável? Será apenas tarefa do Estado preocupar-se com as questões sociais e ambientais? 



Questões como essas não são simples de serem solucionadas, mas é preciso que o tema seja refletido através de múltiplas visões para que assim seja almejada várias possibilidades de respostas, caso contrário, corre-se o risco de privilegiar ideias fixas, muitas vezes buscando fortalecer grupos dominantes, ou então, pode-se favorecer ideologias extremistas, o que seria um retrocesso uma vez que o diálogo e a construção coletiva seriam esquecidos nesse caso. 

Algumas propostas contemporâneas sugerem um novo setor no ambiente empresarial, este setor estaria entre o 2º (empresas privadas) e o 3º (sem fins lucrativos), e por isso, está sendo chamado de setor 2.5, justamente porque essas empresas são constituídas pensando em equacionar e resolver problemas socioambientais ao mesmo tempo em que promovem retorno aos seus acionistas. 

Mas, uma outra perspectiva não menos importante é aquela que considera o aspecto subjetivo e observa o comportamento dos indivíduos, seus sentimentos e suas relações na sociedade e organizações. Desta forma, e adentrando na seara das emoções, é importante refletir e tentar isolar um sentimento destrutivo, ao mesmo tempo que se busca a justiça, o respeito e a dignidade humana, bem como a preservação da fauna e flora. Esse sentimento é o egoísmo. Nele encontram-se todos os outros males que se conhece na sociedade. 

Para colocar em prática essa tentativa de eliminar o egoísmo e suas consequências o filósofo Immanuel Kant possuí uma frase que se aplica nesse contexto: “Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”. Interessante observar que essa expressão muito se assemelha a recomendação de Jesus Cristo: “Como quereis que as pessoas vos tratem, assim fazei a elas da mesma maneira” (Lucas 6:31). Santikaro Bhikkhu, um monge budista, afirma que os problemas sociais existentes estão enraizados no que ele chama de egoísmo social, que significa uma preocupação acima de tudo com o próprio eu, de tal forma que passa a desconsiderar as necessidades e o bem-estar dos outros. 

Desta forma, refletir sobre o verdadeiro sentimento que está por trás de todas as ações e decisões das organizações é imprescindível para o desenvolvimento sustentável. Através de uma meditação profunda e verdadeira, a própria consciência se encarregará de responder. Que saibamos colocar o egocentrismo de lado em favor de um mundo mais humano, solidário e sustentável. 




Chrystian Bíscaro,  consultor de empresas. 

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