Marcos NegriniName: ‘‘Ainda não posso ser presidente ou governador, e em cargo legislativo não pretendo me candidatar. Única opção que me sobrou foi para prefeito’’SILVIO NAME
‘‘Propaganda vende as minhas idéias’’
Candidato do PMDB à Prefeitura de Maringá diz apostar que suas propostas sejam ‘‘compradas’’ pelo eleitorado do 3º colégio do Estado
Marta Medeiros
De Maringá
Especial para a Folha
O empresário Silvio Name Júnior nunca se enveredou para o lado da política. Seu pai chegou a assumir o Senado, como suplente do senador José Richa, mas ele preferiu ficar nos bastidores a entrar em campanhas eleitorais. Casado, pai de uma menina, Name faz questão de dar seu currículo como empresário que trabalha há 17 anos nos ramos de laticínio, frigorífico, construção civil, hoteleiro, prestação de serviços e comércio exterior. É da família Name, entre outros empreendimentos, o Porto Seco de Maringá.
Considerado um nome novíssimo na política maringaense, Silvio Name, conseguiu rachar o PMDB local e conquistar a simpatia do senador Roberto Requião (PMDB). Políticos como o ex-prefeito Said Ferreira (PMDB) perderam o apoio do senador, ficaram de fora da disputa eleitoral e acabaram partindo para outros candidatos, mas não aceitaram a ‘‘presença’’ de Silvio Name. Os mais ‘‘antigos’’ lembram das críticas que o próprio Requião fez na ocasião em que Richa deixou o Senado para dar espaço ao pai de Silvio Name.
Se por um lado ele está livre de críticas por não ter um passado político que possa condená-lo, o dinheiro da família é alvo da oposição que tenta encontrar brechas para acusá-lo de abuso do poder econômico. O primeiro comício feito por Silvio Name recebeu o grupo de pagode ‘‘Karametade’’ do cantor ‘‘Vavᒒ. Os shows da dupla Rio Negro e Solimões e do cantor Daniel também foram contratados para animarem os comícios do PMDB.
Há quem veja em Silvio Name uma semelhança com o ex-prefeito Ricardo Barros (PPB), que assumiu a prefeitura de Maringá com menos de 30 anos, incentivado por um eleitorado que na ocasião estava ‘‘cansado’’ dos mesmos nomes na política. A grande diferença, porém, está na história política de Ricardo Barros (PPB). O pepebista é hoje deputado federal, filho de Silvio Barros, que foi prefeito de Maringá.
Na última Pesquisa Folha, publicada no dia 10, Silvio Name aparece como quinto colocado na corrida pela Prefeitura de Maringá, com 8,8% das intenções de voto. A consulta foi feita nos dias 3 e 4. Na pesquisa anterior, realizada nos dias 19 e 20 de agosto, o peemedebista estava em quarto lugar, com 10,1%. Maringá tem nove candidatos. A seguir, trechos da entrevista que Silvio Name concedeu à Folha:Folha O senhor nunca participou de nenhum movimento político na cidade. O que o levou a entrar agora para a política?
Name Nunca projetei para a minha vida ser político. Sempre tive uma satisfação muito grande em ser empresário. Comecei muito precoce, aos 15 anos, trabalhando para valer. Mas chegou uma hora em minha vida que eu comecei a pensar: meu Deus! Até quando vou ficar em uma sala com ar condicionado, neurótico em um telefone, sem fazer nada por ninguém? Na verdade não existia o desejo de fazer política, mas sim um descontentamento muito grande meu com o mundo. Eu questionava demais o mundo. Eu passava pelas ruas e via mendigos e perguntava para o meu pai por que, por que, por que. Chorava vendo crianças deficientes. E agora, com esta oportunidade de entrar na política estou vendo como posso resolver problemas e ajudar pessoas, inclusive pessoas com as quais sempre convivi que são os trabalhadores.
Folha Você entrou para a política direto como candidato a prefeito. Isso é o ideal?
Name No Brasil só existem três cargos executivos. Ainda não posso ser presidente ou governador, e em cargo legislativo não pretendo me candidatar. Então, a única opção executiva que me sobrou foi para prefeito. Sou um executivo nato, fui programado para trabalhar e fazer produzir.
Folha Seu pai já foi suplente de senador na década de 80, mas depois nunca mais quis saber de política. Ele se decepcionou e acabou não incentivando o senhor?
Name Meu pai é um empresário, um empreendedor. Sempre teve prazer na política, mas não como candidato. Acompanhou por 25 anos a trajetória do Richa até o último mandato, em 1994. Meu pai sempre gostou dos bastidores, foi suplente de senador e assumiu o Senado, totalizando uns dois anos de mandato, mas nunca foi eleito no voto direto. Meu pai me disse que não tem esse mesmo despreendimento que eu de falar na televisão, dar entrevistas e assim por diante. Por duas vezes quase saiu candidato, mas não teve disposição.
Folha Antes de sua candidatura oficial, havia uma briga no PMDB para que os candidatos fossem o ex-vereador Antonio Carlos Pupulim e o ex-prefeito Said Ferreira. Houve a definição pelo seu nome e depois vimos o presidente estadual do partido, senador Roberto Requião, apoiando a sua campanha. O senador deixou de lado o ex-prefeito, que sempre esteve junto com ele. O que levou Requião a deixar um político como Said e apoiar a sua candidatura?
Name Na verdade o Said não se manifestou candidato na mesma ocasião em que eu me manifestei. Antes de sair candidato, por uma posição ética eu consultei o Said e ele me disse que não era candidato. O PMDB local também foi consultado e informou que não havia ainda um candidato para o partido. Então fui a Curitiba conversar com o Requião. O senador me recebeu muito bem e achou ótimo o meu nome e me deu o seu apoio. Já conhecia o Requião, mas fazia uns dez anos que não falava com ele. Fiz minha pré-candidatura. Na ocasião o Pupulim continuou dizendo que não era candidato e o Said também. Então naveguei sozinho. Tive um problema de retrocolite, que é um problema gastro-intestinal que exigiu um tratamento de 90 dias com dieta especial e medicação rigorosa. Então fiquei três meses e meio fora do circuito político. Aí o partido me consultou e eu disse que a sigla estava livre porque não podia amarrar ninguém. Com isso surgiram as candidaturas do Said e do Pupulim, mas o próprio Pupulim foi em casa para me falar que só estava se candidatando porque não queria que o Said se candidatasse. Daí, o Pupulim incentivou a minha candidatura e então apresentei meu nome na convenção. Com o isso, o Said se retirou e o PMDB fechou comigo.
Folha Com isso percebemos um racha no partido, com o próprio presidente da Câmara de Vereadores, John Alves, candidato à reeleição pelo PMDB apoiando o prefeito Jairo Gianoto, que é do PSDB. Como o senhor analisa esse racha?
Name Eu não sei que tipo de compromisso o John tem com o Jairo. Também não me interessa saber, mas não é uma atitude legal porque ele decidiu não apoiar um candidato do partido dele.
Folha A sua campanha recebe críticas de abuso de poder econômico. Para os comícios foram contratados shows considerados de ‘‘primeira linha’’. Como o senhor analisa essas críticas? Não há abuso?
Name De forma alguma. Há sim o uso de dinheiro que foi ganho com impostos pagos e está declarado no Imposto de Renda para divulgação de um nome que não é antigo na política. Se você lançar um produto tradicional é um tipo de campanha, mas se o teu produto for novo vai precisar de uma mídia forte. Não estou fazendo mídia para comprar voto de ninguém. Estou fazendo uma propaganda para vender as minhas idéias e se as minhas idéias forem compradas vou ficar feliz. Mas em nenhum momento estou comprando ninguém, diferente de outros candidatos que dão cestas básicas nos bairros e usam a máquina administrativa para exercer poder.
Folha Quanto o PMDB está gastando nesta campanha?
Name Na faixa de R$ 800 mil.
Folha O senhor propaga ser um candidato com propostas efetivas para emprego e saúde. Quais as propostas para aumentar a geração de emprego?
Name Como empresário sei dar soluções para a questão do emprego e o meu vice como médico tem boas soluções para a saúde, além de eu mesmo ter feito um trabalho para descobrir os grandes problemas da saúde em Maringá. Na área de combate ao desemprego, uma das propostas é tratar as empresas que já estão em Maringá com mais respeito. Hoje, uma empresa instalada na cidade que oferece 100 empregos e quer aumentar o negócio e mão-de-obra para 200 trabalhadores não consegue uma terraplenagem do município. Mas se vem uma de fora, com a proposta de 30 empregos, a prefeitura dá. Maringá precisa tratar com mais respeito seus empresários e tirar a fiscalização ostensiva em cima deles. A fiscalização é importante para quem é bandido. Tem muita gente que está trabalhando, gerando emprego, pagando imposto e é tratado como bandido. Outra coisa fundamental é diminuir a carga tributária das micro e pequenas empresas. Isso é fundamental. Se não for feito isso, não há como aumentar o número de empregos. Trazer indústria vocacionada para Maringá é outra proposta importante. Maringá tem couro, curtume, boi, mas não tem uma indústria calçadista. Então não é difícil trazer empresários para cá. Mas incentivar não é fazer o que o governador Jaime Lerner (PFL) faz com isenção de impostos por dez anos. Maringá já perdeu grandes indústrias. Para Paranavaí, a indústria de suco de laranja, para Marialva de plástico, para Campo Mourão de tecido. Isso não pode mais acontecer. Vamos inclusive cobrar do governador as indústrias que ele levou para outras cidades.
Folha Por que Maringá perde tanto para outros municípios?
Name O problema é que Maringá não é bem representada politicamente, por isso que perde tanto. Somos o terceiro colégio eleitoral do Estado (com 203.750 eleitores) e não temos respeito. Nós não temos representatividade política. Nossos deputados querem ser autores individuais dos projetos e acabam prejudicando o município e os cidadãos como consequência.
Folha E qual a proposta do senhor para a área de saúde?
Name O grande problema é a falta de médicos especialistas. Maringá precisa de três a quatro postos de saúde em pontos estratégicos que funcionem 24 horas e com médicos especialistas. Hoje, se você tem um problema cardíaco e vai em um posto em horário normal de atendimento, vão pedir para voltar daqui a 30 dias. Ninguém pode esperar tanto. A falta de médicos especialistas é muito grave e temos condições de alocar recursos e colocar à disposição um grande número de profissionais para a população. Vamos fazer um sistema de teleatendimento em que a pessoa liga a qualquer hora do dia e marca a consulta no posto em que quiser. Este é um sistema barato que acaba com as filas. O dinheiro para a saúde e para o incentivo de empregos existe. É só saber usar as linhas de crédito à disposição da administração municipal. Falam tanto do médico da família implantado aqui, mas o projeto é nacional e prevê a medicina preventiva. Nós entendemos que, pela situação do povo, além da medicina preventiva, cujos resultados se darão ao longo do tempo, precisamos com urgência da medicina curativa.
Folha Como empresário dá lucro deixar as empresas e ir para a política?
Name Esse termo dá lucro é um pouco forte para a questão. Temos empresas há 30 anos e passamos por várias fases. Então nós aprendemos a trabalhar ajustados e com profissionais. Os negócios podem andar sozinhos porque temos profissionais habilitados. Hoje em dia não se pode ter um ‘‘Pel钒 na empresa, é preciso de uma equipe.
Folha Quem é o eleitor do senhor?
Name Homens e mulheres, pobres e ricos, votam em mim equilibradamente. Não é demagogia, mas estou com um eleitorado infantil tremendo porque as crianças, graças a Deus, gostam de mim e não sei o motivo. Chego nos colégios e as crianças começam a gritar meu nome sem estar nada programado. É impressionante.
Folha Mas criança não vota....
Name Não tem problema. Elas me adoram e os pais delas votam. Não quero ser demagogo, mas as crianças têm uma sensibilidade para gostar de quem tem boa intenção.

PERFIL
Nome: Silvio Name Júnior
Idade: 32 anos
Formação: superior incompleto (economia)
Vice: Antonio Carlos Pupulim (PMDB)
Sonho: ‘‘O mais lógico possível, uma ótima administração municipal’’

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