PROPAGANDA ENGANOSA - Responsabilidade social é discurso vago em empresas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 02 de julho de 2010
Bruno Maffi<br>Reportagem Local 
Hoje em dia é difícil encontrar uma empresa que não use os termos responsabilidade social em suas propagandas. Cabe ao consumidor cumprir seu papel de cidadão consciente e pesquisar a veracidade dessas informações, para descobrir se são discursos vagos ou atitudes efetivas que a empresa coloca em prática pelo bem da sociedade. Nenhuma organização, no entanto, pode se dizer sustentável se não conhece seus impactos na sociedade e, principalmente, o que faz para reduzi-los.
Nesta entrevista, Aislan Ribeiro Greca, mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional, aborda temas como o crescimento das propagandas que chegam ao consumidor com frases como ''alimentamos cães sem donos'', ''plantamos para você'', ''consuma nesse dia porque a renda é para um hospital''.
Segundo ele, responsabilidade social muitas vezes é confundida com filantropia e ações de marketing que anunciam que ''parte do lucro de um determinado produto é revertido para uma instituição de caridade'' são válidas, mas não podem ser vistas como ação de responsabilidade social.
Muitas campanhas de marketing utilizam os termos responsabilidade social e sustentabilidade. Esses conceitos não estão sendo usados de forma excessiva e indevida?
Ser socialmente responsável não é uma questão de moda, mas uma gestão estratégica na administração das empresas, sendo um diferencial competitivo. Hoje as organizações necessitam de um aval social para desenvolver seus negócios e a responsabilidade social está inserida neste processo de se manter em um mercado competitivo nas próximas décadas. Muitas empresas usam o termo sustentabilidade como uma ação de marketing, tentando dar uma visão de que o que está sendo oferecido é algo que faz bem ao planeta como um todo. Porém sustentabilidade é mais do que isto, é uma nova forma de ver as relações, não só entre as empresas e a sociedade, como também as formas de nos relacionarmos como cidadãos do mundo.
O que caracteriza uma ação efetiva de responsabilidade social?
Uma ação de responsabilidade social efetiva é a aquela em que a empresa conhece seus impactos perante a sociedade, sabe a responsabilidade que tem sobre isto e desenvolve ações que buscam minimizar seus impactos em toda a cadeia produtiva e com os públicos nos quais possui algum tipo de relacionamento.
As empresas que fazem alarde da sua postura socialmente responsável estão preocupadas apenas com a própria imagem?
Não vejo como alarde, mas como uma estratégia de mercado. Responsabilidade social faz parte do negócio das organizações e hoje as empresas têm que divulgar o seu trabalho. Cabe a nós ficalizarmos essas empresas para saber se esse discurso é verdadeiro ou não.
Como usar o investimento social privado de forma consciente?
O investimento social de uma organização deve estar atrelado à sua estratégia, se o impacto da organização na sociedade é ambiental, de nada adianta investir em cultura. Não que investir em cultura não seja válido, mas deve ser realizado numa segunda etapa. Primeiro foca-se em ações que buscam reduzir o impacto direto e posteriormente em ações que agreguem de maneira positiva a organização na sociedade. Ao se investir na organização, pensamos no futuro do nosso negócio. Na questão social é mesma coisa. Hoje o jogo tem que ser o ganha-ganha, onde a empresa e a sociedade se beneficiam do processo.
Quais critérios devem ser usados para escolher qual área será beneficiada por um projeto social?
O critério é: Qual a razão do meu negócio? Como a sociedade pode se beneficiar do meu negócio auxiliando-o crescer? Posso dar um exemplo: vivemos hoje, no país, uma carência de mão de obra qualificada. Por que não eu, como empresa, posso investir em ações de qualificação profissional com jovens que estão em risco social? Todo mundo ganha. Ganha o jovem que aprende uma profissão, ganha a empresa que forma um jovem adequado a necessidade de seu negócio. Esse é o jogo do ganha-ganha.


