Pronto-socorro municipal, urgente!
Pronto-socorro municipal, urgente!
Miguel Alves Pereira Júnior
Não é novidade a situação caótica da prestação de serviços de saúde em nosso País, mesmo em centros com desenvolvimento comparável a outros do Hemisfério Norte e, muitas vezes, com melhores indicadores. Em Londrina, verificamos alguma semelhança com esta situação nacional em que áreas chamadas de excelência convivem com atendimento precário de saúde.
O atendimento de emergência em nossa cidade necessita urgentemente de uma readequação estrutural de meios e de fluxo, tendo em vista a sobrecarga que os três grandes hospitais sofrem e que começa a corroer internamente outras áreas de prestação de serviços.
Estas unidades hospitalares têm investido e precisam continuar investindo permanentemente em áreas de alta complexidade como UTIs, cirurgia cardíaca, hemodiálise, neurocirurgia, hemodinâmica, tomografia computadorizada e ressonância magnética entre tantas outras, setores que inevitavelmente são os que mais sofrem com a sobrecarga do atendimento de emergência e que, em consequência, tornam-se vulneráveis e fadados a se deteriorar.
Um complicador a mais se verifica quando estes hospitais, por força da deficiência do atendimento público de saúde em cidades vizinhas, são sobrecarregados atendendo todos os casos, dos mais simples aos mais complexos, com evidente prejuízo de qualidade.
Ao longo de vários anos, Londrina teve sua rede básica de saúde bem montada e, reconheça-se, atende um segmento importante da população. Entretanto, a cidade necessita de uma readequação para melhor resolubilidade nas atenções básicas de saúde, fato este que descongestionaria o atendimento hospitalar e aumentaria a capacidade dos grandes hospitais para se dedicarem ao atendimento de alta complexidade e ao mesmo tempo cuidar do planejamento financeiro com vistas à atualização tecnológica e boa prestação de serviços.
Quando os recursos recebidos para atendimento de alta complexidade, via governo federal, são utilizados para atendimento básico de saúde gripes, diarréias, pequenos acidentes etc. inevitavelmente ocorre prejuízo em setores de alta tecnologia médica, que no final das contas, nada mais é do que o sucateamento de toda a estrutura hospitalar e ambulatorial. Uma, por superlotação e outra, por subutilização.
A solução para o problema demanda intervenção do poder público e se constitui em obrigação constitucional. A criação do Pronto-Socorro Municipal, unidade que se destinaria a atendimento de urgência de média complexidade e pequenas e médias intervenções cirúrgicas, traria melhora significativa no atendimento de saúde como um todo em Londrina. Um pronto-socorro moderno e ágil, aliado ao serviço de remoção de acidentados que a cidade já possui, resolveria de uma só vez o problema da superlotação hospitalar e, sem dúvida, ofereceria assistência eficiente à população, sem filas, sem demora e com qualidade superior ao que podemos oferecer no momento.
Londrina, cidade construída com a determinação dos pioneiros, tradicionalmente investiu e investe nas mais variadas áreas com a ajuda direta ou indireta do poder público e não existe razão para uma omissão desta natureza quando se trata de prover seus cidadãos de meios adequados, modernos e eficientes de atendimento de saúde de urgência, que trará bons reflexos em toda a hierarquia de atendimento público.
Londrina tem recursos humanos qualificados e reconhecidos, como prova a classificação de nossa Universidade Estadual no ranking nacional de cursos de Medicina e de outras áreas da saúde; Londrina tem tradição empreendedora em vários segmentos da sociedade; Londrina tem dado incentivos a empresas nacionais e internacionais para aqui se instalarem; e seria natural Londrina ter um sistema público de atendimento de saúde de urgência que funcione adequadamente de maneira global com eficiência e alto grau de resolução, em benefício da população.
A readequação de recursos do orçamento municipal e a possibilidade de atendimento a pacientes de convênios e particulares como a lei já permite, são imprescindíveis para que um pronto-socorro se sustente financeiramente e não sofra dos mesmos males que a atual estrutura de atendimento privado padece. Porto Alegre, Curitiba, Campinas, Ribeirão Preto e outras cidades do interior brasileiro já dispõem do atendimento de urgência para sua população.
Londrina precisa. Londrina merece.
- MIGUEL ALVES PEREIRA JÚNIOR é médico e ex-diretor clínico da Santa Casa de Londrina





