Perfumada e de cabelo arrumado, a costureira Maria Romagnolo Castro, de 62 anos, esbanja alegria e comemora o sucesso da cirurgia cardíaca que aconteceu há menos de 30 dias. ‘‘Achava que não sairia dessa, mas hoje tenho saúde e felicidade’’, festeja.
  Momento que ela realmente quer aproveitar, após anos de angústia e sofrimento. ‘‘Tive reumatismo quando nova e isso acarretou em um defeito na válvula do coração. Fiz uma cirurgia 14 anos atrás. Porém, há cerca de 3 anos comecei a sentir muita arritmia e a pressão estava alta, chegou a 19 por 12 (mmHg). Ficava muito nervosa e, por isso, recorria ao calmante.’’
  Sintomas que a levaram novamente para a mesa de cirurgia para a colocação de uma válvula mecânica e ponte de safena. ‘‘Sabia que era um procedimento complicado. Mas se não fizesse, poderia morrer dormindo. Agora não tenho mais preocupação. Quero aproveitar a vida e terminar de criar meus netos’’, reforça ela, que já está com a pressão normalizada e aguarda o momento de parar com as várias medicações que toma atualmente.
  Maria está dentro das estatísticas que apontam que as mulheres estão infartando cada vez mais. Estudo do Ministério da Saúde feito em hospitais públicos do Brasil todo mostra que entre 1997 e 2007 cresceu 46% o número de atendimento a mulheres com infarto na rede pública.
  Até a menopausa, a ação de hormônios deixa as mulheres muito menos suscetíveis à doença aterosclerótica do que os homens. Porém, após a menopausa, quando essa ‘‘vacina’’ natural deixa de existir, fatores como tabagismo e estresse, com o acúmulo de responsabilidades de mãe, dona de casa e profissional que enfrenta o mercado de trabalho, fazem com que as mulheres infartem mais.

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