Promotor opta pelo conselho ao castigo
O promotor Mário Luiz Ramidoff, da Vara do Menor Infrator, prefere a orientação do que a punição para os delitos de trânsito. De acordo com ele, o adolescente que conduz veículos está com quase 18 anos e usa o carro para ir trabalhar ou ir para a faculdade. Este adolescente dificilmente é descoberto por tender a ser mais discreto e não colocar em risco outras pessoas.
Poucos seriam os casos dos adolescentes que tendem à agressividade no trânsito, fazendo rachas, dando ''cavalinhos de pau'' (quando o veículo está em alta velocidade e é brecado rapidamente com o freio de mão) ou pondo em risco outras vidas.
Em pequenas cidades, não é raro ver menores ou maiores desabilitados dirigindo carros ou motos. ''O adolescente começa a aprender a dirigir quando vai lavar o carro do pai ou da mãe. Ele tira o carro da garagem, começa a fazer pequenas manobras. Depois vai fazer favores, compra pão na panificadora, compra remédio na farmácia. Nas coisas simples, os problemas começam'', diz Ramidoff.
Por se tratar de uma infração considerada de menor poder ofensivo, o promotor prefere o aconselhamento. ''O que falta é a vigilância do pai. Ele é a autoridade dentro de casa. Explico isso para o pai. Digo que o menor precisa de um limite'', afirma. Muitas vezes, os pais dizem que ''santo de caso não faz milagre''. Nestas horas, Ramidoff diz que tem que ser mais duro.
''Aviso que é bom que faça milagre. Se o filho for pego pela segunda vez dirigindo, terá que pagar pena alternativa. E a pena vai ficando cada vez mais severa'', diz. ''É preciso dar limites para que o menor tenha objetivos na vida. Quem dá tudo, não dá nada. É preciso que nas pequenas coisas se diga não. É um sinal de respeito e amor.''





