Promessas e bravatas na reforma da Previdência
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sexta-feira, 20 de junho de 2003
Paulo César de Souza 
O presidente Lula da Silva durante 20 anos nos fez várias promessas. Votei no Lula, meu filho, meus pais, minha família, meus amigos, como os 64% da população brasileira que votamos porque acreditávamos naquele que nos prometia: não se curvaria ao FMI; não cederia às oligarquias que mandam nos currais eleitorais do País; não governaria com os 300 ladrões do Congresso Nacional; imortalizados pelos Paralamas do Sucesso; não deixaria o salário mínimo abaixo dos 100 dólares; não permitiria que a saúde continuasse sucateada; não privatizaria o que é patrimônio do povo, saúde, previdência, segurança, bancos, etc; não reformaria a Previdência Social.
Já que o sr. presidente da República acabou de anunciar, em discurso para todo o povo brasileiro, que tudo quanto dizia, quando estava na oposição, eram bravatas, estamos perplexos e nos sentimos enganados.
Sou presidente de uma entidade representativa, de classe, que reúne 53 mil dos 90 mil servidores da Previdência, reivindico direitos, em nome da esperança. Não reivindico promessas e muito menos bravatas. Reivindico que seja preservada a maior distribuidora de renda do país e a maior seguradora da América Latina, o INSS. Se a promessa salvou, a bravataria, irmã gêmea da privataria, é uma ameaça.
Por isso mesmo peço ao Congresso para não permitir que a bravataria liquide com o INSS. A proposta de reforma previdenciária tem tudo a ver com o processo de privatização. Com FHC, bancos e seguradoras faturaram mais de R$ 36 bilhões e venderam planos a 10 milhões de brasileiros desesperados. Querem dobrar, chegar aos R$ 72 bilhões e vender planos a 20 milhões de desesperançados.
A reforma da Previdência Social que precisa ser feita, não é aprovada por governadores incompetentes e por um Conselho de espertos devedores do INSS, mas a de recuperação do INSS, cobrando a dívida de R$ 150 bilhões, inclusive R$ 25 bilhões de Estados e Prefeituras, acabando com a renúncia fiscal de R$ 10 bilhões/ano, (rurais, simples e filantrópicas) fechando o ralo da sonegação de R$ 24 bilhões/ano (40% da receita de R$ 60 bilhões), liquidando com a sonegação, evasão, malversação, corrupção, brechas legais, trazendo os 40 milhões informais que estão fora para dentro do INSS, não dando incentivos e perdão aos caloteiros (Refis).
Permita também que o INSS venda planos de Previdência, nas mesmas condições dos bancos e seguradoras, com a garantia do Tesouro. Faça a reforma para fortalecer o INSS e não bancos e seguradoras. Ouça a experiência dos que há 80 anos construíram a Previdência. Tenha coragem e denuncie a pressão do FMI.
Não faça bravata com o que restou do patrimônio do povo brasileiro. Já fomos a 8ª economia do mundo, hoje somos a 12ª e ao final de seu governo, com tantas bravatas, poderemos ser a 20ª. Os 27 milhões de contribuintes, inclusive 4 milhões de empresas, e 21 milhões de beneficiários agradecerão.
PAULO CÉSAR DE SOUZA é presidente da Associação Nacional dos Servidores da Previdência Social (ANASPS).


